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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O que Fazer Antes de Escolher a Carreira

O pedagogo Silvio Bock (foto ao lado), diretor do Nace, empresa de orientação profissional, já ajudou milhares de jovens no difícil momento de decisão por um curso superior.
O método da abordagem sócio-histórica, criado por ele, leva em conta a evolução da sociedade, das instituições e das tecnologias. E emprega um processo que contextualiza as necessidades e anseios da adolescência com a realidade do mercado e dos campos de trabalho.

Confira a entrevista com o consultor, para o Jornal Folha de S. Paulo, onde fala sobre as profissões recém-criadas:

FOLHA - Como surgem as novas profissões?
SILVIO BOCK - Mercado de trabalho é uma relação concreta de oferta e procura. Campo de trabalho é o potencial de trabalho que uma dada área, não necessariamente convertida em mercado, possui. E aí estão incluídos os campos já conhecidos e os campos a conhecer. Ou seja, estou dizendo que as profissões e ocupações têm movimento, elas não são estáticas no tempo. Se as profissões quiserem continuar existindo, logicamente elas têm que criar novos campos de trabalho, novas possibilidades de intervenção ­ o que as profissões tradicionais fazem com muita percepção da realidade, novas possibilidades. O direito, por exemplo, área mais tradicional do que esta não existe. E você tem áreas novas como o direito internacional, o direito ambiental, o direito do consumidor que é muito recente, os direitos difusos que existem hoje e são estudados na USP, quer dizer, as profissões são capazes de criar novos campos de trabalho. Isso é importante dizer, elas não surgem do nada essas necessidades, esses novos cursos. Provavelmente elas já existem na realidade e as instituições captam essa existência, ou uma tendência e acabam colocando isso de uma maneira formalizada na universidade, ou num curso técnico, ou num curso livre.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Material de Estudos para o Novo ENEM 2010

Aqui você encontrará quase tudo que precisa para faturar o ENEM 2010. E o que é melhor: tudo de graça!

Siga o roteiro:

1)   Baixe, imprima, encaderne e estude as 04 apostilas do encceja, pois elas vão lhe dar o viés do examinador:

a)    LINGUAGENS;

b)    MATEMÁTICA;

c)    CIÊNCIAS DA NATUREZA;

d)    CIÊNCIAS HUMANAS.

2) Pegue as duas apostilas da Técnica do Chute, pois elas vão lhe dar o conhecimento necessário para combinar o conhecimento tradicional com as modernas Técnicas de Chute:

a) Chute para vestibulares e concursos;

b) Chute específico para o ENEM.

3)   Treine REDAÇÃO:
No NOVO ENEM é pedido uma redação dissertativa-argumentativa.
         Como o mínimo é 8 e máximo é de 30 linhas, faça uma redação de 20 a 25 linhas. 8 linhas é muito pouco. 30 linhas é muito grande e vai dar muito trabalho para os examinadores. 04 parágrafos de com cerca de 06 linhas cada ou 05 parágrafos de 05 linhas está ótimo.

Capriche na letra, seja claro e direto. Lembre-se: os examinadores vão corrigir cerca de quatro milhões de redação e com a pressão de soltar a nota rapidamente. Dificilmente se darão ao trabalho de decifrar redações incompreensíveis. Se decifrarem, provavelmente darão uma nota de má vontade, mais baixa.

Sugestão de prioridade:

1)   leia o tema da redação;

2)   faça as 30 primeiras questões de português;

3)   faça as 30 primeiras questões de matemática;

4)   Se a redação for contar pontos (muitos) esboce a redação;

5)   Analise e decida se termina a prova ou a redação primeiro.

Nota: se não precisar dos pontos da redação, talvez a melhor estratégia seja dar atenção total à prova objetiva.



4)   Faça as PROVAS ANTERIORES do velho ENEM

5)   Treine o tempo, mais ou menos 2,5 minutos por questão. Dá uma página a cada 8 minutos. Geralmente cada página tem três ou quatro questões. Tente fazer as questões fáceis com menos tempo. Se for rápido demais, perderá eficiência. Se for lento, faltará tempo. Treine sua velocidade com a precisão de um cronômetro.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

8 Motivos para Fazer (Bem) o Enem

Foto: EnemApesar de nem todas as universidades terem aderido ao Enem como critério único de seleção, grande parte o utiliza ao menos como parte do processo seletivo. "E esse, por si só, já seria um bom motivo para prestar a prova com seriedade", afirma Heliton Ribeiro Tavares, diretor de Avaliação da Educação Básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Até o ano passado, muitos estudantes, para evitar o desgaste de mais uma prova, faziam apenas a parte que lhe interessava do Enem. Se a redação não contava pontos para o ingresso na universidade almejada, por exemplo, era deixada em branco. Resultado: a nota do Enem não refletia os conhecimentos reais daquele aluno e, no seu conjunto, não poderia ser considerada um indicador de qualidade confiável da Educação das escolas e dos municípios. Mas isso deve mudar em 2009. "Os estudantes terão de fazer a prova com muito mais seriedade", afirma o diretor do Inep.

Isso se deve não só ao fato de o Enem agora ser o único critério de seleção de 26 universidades federais e de 500 faculdades particulares de todo o país, mas também, a uma série de outros motivos. É muito importante fazer a prova dando o máximo de si porque a nota do Enem constitui o mais importante indicador de qualidade do Ensino Médio brasileiro, tanto para escolas públicas como para as privadas. Especialistas contestam os rankings das escolas divulgados todos os anos, justamente porque muitos alunos não fazem a prova ou não a fazem com a dedicação necessária. Portanto, levar a sério o Enem é uma maneira de ter um indicador de qualidade confiável das escolas. Além disso, serve como autoavaliação para cada um dos alunos e pode ser um "simulador" do vestibular.

Se você vai prestar o Enem, leia as dicas abaixo para entender por que ele é um exame tão importante. E, quando chegar a prova, é importante ter uma boa alimentação, dormir bastante e resolver as questões com tranquilidade. Vai ser bom para você, bom para a sua escola e bom para o Brasil.

Promoção Cultural Enem 2010‏

 
 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Saiba Como Encarar a Reta Final do Vestibular


É dada a largada, nesta hora, só dá para contar com as três principais palavras que fazem parte do vocabulário do vestibulando: estudo, disciplina e organização.
Professores, pedagogos e nutricionistas ouvidos , dão dicas de como o estudante deve se preparar, aumentando suas chances de ser aprovado nos processos seletivos.
"Descanso, nesta fase, é fundamental", aconselha Maria Irene Maluf, psicopedagoga e presidente da ABP (Associação Brasileira de Psicopedagogia). "É hora de tirar dúvidas, de estudar aquilo que não se sabe tanto. O vestibulando tem que se dedicar, mas tem que relaxar também. Afinal, a vida não pára por conta dos exames."
A colaboração dos pais também é importante neste período, de acordo com Ernesto Pirner, coordenador da unidade Sergipe e professor de biologia do Anglo Vestibulares. "Alguns pais são omissos, outros ameaçam o estudante, dizendo que, se ele não passar, terá que trabalhar no ano que vem. De nada adianta. Os pais têm que oferecer suporte neste momento de insegurança", afirma.
E se, mesmo com tanto esforço, o vestibulando não conseguir uma vaga na universidade? "Quando passa pela cabeça "eu poderia ter estudado um pouco mais", pode ter certeza de que o aluno não fez o que teria que ser feito", diz Ana Lúcia Araújo Zaroni Motta Parro, coordenadora do ensino médio da Escola Pueri Domus.
"Mas se ele cumpriu sua responsabilidade, que é se preparar, agregar conhecimento e buscar informações sobre o mercado em que quer atuar, tem muitas chances de ser aprovado", analisa. "Quem não passar terá que repensar a sua escolha para saber o que quer."

Dicas

Confira algumas dicas para encarar os vestibulares:
- organize seu tempo e faça um cronograma de estudo. Divida o tempo entre as aulas, a revisão e os exercícios. Isso lhe dará mais segurança para enfrentar as provas
- estude o máximo que puder, mas, quando bater o cansaço físico e mental, feche o livro e vá relaxar
- escolha lugares tranqüilos e silenciosos para estudar
- verifique nos sites das universidades as provas de anos anteriores para saber como é o estilo de cada uma
- treine o esquema de redação. Descubra argumentos e saiba como defendê-los
- leia jornais para se manter atualizado
- lembre-se: você não precisa saber de absolutamente tudo
- uma alimentação equilibrada neste momento é fundamental para fornecer energia para o corpo e cérebro. O ideal é consumir, em quantidades moderadas, alimentos fontes de carboidratos, como pães, biscoitos, cereais, arroz, batata e macarrão
- beba muita água, em média, oito copos por dia
- durma bem. Com o corpo descansado, seu estudo renderá mais. Não tome estimulantes para se manter
acordado, eles só vão adiar a sensação de cansaço
- planeje a ordem das provas. A média de tempo para cada questão costuma ser de três minutos. Leia com atenção, resolva o que sabe e deixe o conteúdo que não sabe para o fim.

Dicas Vestibular - Interpretação de Textos no Vestibular


"Resolvi fazer as provas de interpretação de meus textos e não passei em nenhuma." Mário Prata

Escritor fala sobre a interpretação de seus textos no vestibular

Autor de 15 livros, o cronista Mário Prata teve uma de suas conclusões selecionadas recentemente pela coluna Frases da revista Veja: "Resolvi fazer as provas de interpretação de meus textos e não passei em nenhuma. Não entendi nada." Ele se referia aos gabaritos dos vestibulares da PUC de Campinas de 1997, da PUC de Curitiba de 1999, e de Medicina de Ribeirão Preto, também de 99. São textos diversos – todos com o humor característico e a linguagem coloquial, sincera, que fazem o sucesso de Prata como escritor. O problema é que o autor, pai da matéria, não conseguiu acertar nada.

Até aí, normal – a língua portuguesa é complexa, dificílima e, por ter um currículo de péssimo ensino nas escolas, transforma-se em terror dos vestibulandos, que, viciados na decoreba, se contorcem nas interpretações de textos nas provas das faculdades. Lisonjeado e ao mesmo tempo indignado, Mário Prata escreveu ao ministro da Educação, em forma de crônica publicada no jornal O Estado de São Paulo, sobre as questões "insolúveis" aplicadas sobre outra crônica sua, "As Meninas-Moça", que caiu no vestibular 99 de Medicina de Ribeirão Preto.

A seguir, Mário Prata – cujo mais recente livro, Minhas Mulheres e Meus Homens (Editora Objetiva), está na lista dos mais vendidos de não-ficção – faz novo desabafo. Discorda do ensino de literatura nas escolas, questiona o formato das provas dos vestibulares e diz acreditar que cultura é algo "mais gostoso, prazeroso", que não pode ser medido em testes.

Por que a crônica "As Meninas-Moça" foi a que mais rendeu polêmica? Você teve contato com os elaboradores da prova?

Mário Prata - Na PUC - Campinas caiu um pedaço de uma crônica que saiu na IstoÉ; na PUC de Curitiba, era uma crônica sobre frases engraçadas retiradas de boletins de ocorrência de acidentes de carro. A prova de Medicina era a mais confusa. Era uma crônica sobre o fim do time de vôlei patrocinado pelo Leite Moça. Tinha uma pergunta se a minha expressão "esparramados em seios esplêndidos" era uma paráfrase, uma metáfase, uma paródia e não me lembro mais o quê. Que raios pode ser isso? Resolvi perguntar ao ministro Paulo Renato. Depois escrevi uma carta para a reitoria da faculdade, perguntando se quem elaborou a prova sabe o que é "larica" (gíria que define uma fome exagerada, vontade compulsiva de comer – especialmente depois que se fuma maconha). Não tive resposta da faculdade.

Na sua opinião, qual é o maior problema que esse tipo de prova nos vestibulares traz à tona?

Mário Prata - São dois problemas básicos. Primeiro, o fato de os clássicos, aqueles livros de sempre, caírem nas provas de literatura do vestibular. Todo mundo sabe que interpretações desses textos são como forçar o estudante a saber uma coisa no mesmo nível de saber o nome de formiga em latim. Envolve uma relação de decoreba, obrigação e exatidão. Acho que isso afasta o universitário da leitura. Está provado. O segundo problema é que o ministro Paulo Renato concorda comigo.

Quais seriam então as formas de avaliação, em português e literatura, nos vestibulares?

Mário Prata - Vestibular como um todo deveria ser para sacar se a pessoa tem a cabeça boa e vocação para determinada profissão ou não. Sou ignorante em educação. Mas acho que não deveria nem ter nota. O Hildebrando do Acre e o Sérgio Naya é que deveriam cair no vestibular. Textos sobre futebol, novelas, 

Você já prestou vestibular?

Mário Prata - Prestei e passei em Economia na USP, em 1967 (largou no último ano). Trinta e três anos depois, o vestibular está igualzinho. Até os autores, com raras exceções, são os mesmos. Esse negócio de química, física e biologia é coisa do começo do século. O jovem de 1967 não tem nada a ver com o de 2000.

E as iniciativas do governo como o Provão e o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio, cujas notas valem pontos no vestibular), você acha que podem melhorar o nível do ensino e do vestibular?

Mário Prata - Acho que não adianta ficar fazendo Provão. A maioria dos jovens de hoje não lê e conseqüentemente não sabe escrever nada. É diferente da minha geração, que tinha acesso a um ensino público de qualidade. Essa qualidade tem de ser retomada no curso primário. Escrever é uma obrigação e ler deve ser um prazer. Não adianta querer sanar as coisas no vestibular. Fazer Provão é provar a incompetência do poder público. O problema do Enem é o fato de ser difícil convencer um aluno de 7 anos a tirar nota boa porque daqui a 10 anos ele vai ter de fazer vestibular.

Qual seria a melhor forma de ensinar o jovem que ler é um prazer?

Mário Prata - Tem outro problema: a categoria infanto-juvenil, que é um absurdo. Isso não existe. Ou é livro para criança ou para adulto, no máximo adolescente. Uma criança com 13 anos já é quase adulta. Uma menina de 14 anos está fazendo sexo. Os livros têm de falar dessa realidade, da vida. Esse tipo de livro é que tem de dar para a garotada. Importante: o cara que escreve deve saber escrever e ter o que escrever. Aí dá certo. Fica mais fácil os pais e as escolas colocarem na cabeça dos garotos, como fiz com meus filhos, que ler é uma viagem. Você só tem de entender o que o autor disse, não como disse, se é mesóclise ou a "PQP".

Seus livros são lidos por jovens? Por quê?

Mário Prata - Meus livros são mais lidos pelo público jovem, de 15 a 25 anos. Acho que é porque meu texto é fácil, bem-humorado. É uma técnica de escrever para ser lido. Tenho de ser lido porque eu vivo disso. Tem gente que escreve para não ser lido. Não conheço nenhum médico que opere para que o paciente morra, engenheiro que faz ponte que cai. O ato de escrever é um ofício como qualquer outro.

Você tem 15 livros publicados e está escrevendo outro. Como se tornou escritor e sobre o que é seu novo livro?

Mário Prata - O tema do meu novo livro ainda não posso adiantar. Será lançado em outubro. Larguei Economia e meus colegas de faculdade estão todos no poder. Fazer aquele curso foi uma coisa meio metido a besta. Eu morava em frente ao jornal de Lins (interior paulista, onde Prata nasceu) e vivia lá. Comecei no jornalismo com 14 anos escrevendo coluna social. Escrevia tudo errado. Fui aprender na marra. Tudo que eu fiz até hoje, escrevendo, foi crônica – mesmo quando escrevi para teatro. Minha formação literária foi com os cronistas da época: Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Millôr, Estanislau Ponte Preta e Nelson Rodrigues. Lia todos eles - maravilhosos - nos jornais. Depois de mais velho é que fui buscar os livros, me interessei por eles e os descobri. Em Lins não tinha livraria. E não tem até hoje – apesar de a cidade ter uma universidade.

Atualidades 52 - Urbanização em Países Desenvolvidos e Sub-Desenvolvidos


Os fatores atrativos da urbanização, em países desenvolvidos, estão ligados basicamente ao processo de industrialização em sentido amplo, ou seja, às transformações provocadas na cidade pela indústria, notadamente quanto à geração de oportunidades de empregos, seja no setor secundário, seja no setor terciário, com salários em geral mais altos. Essas condições surgiram primeiramente nos países de industrialização antiga, os países desenvolvidos. Nesses países, além das transformações urbanas, houve, como conseqüência da Revolução Industrial, também uma revolução agrícola, ou seja, uma modernização da agropecuária que, ao longo da história, foi possibilitando a transferência de pessoas do campo para a cidade, principalmente como resultado da mecanização da agricultura.
A urbanização que ocorreu nos países desenvolvidos foi gradativa. As cidades foram se estruturando lentamente para absorver os migrantes, havendo melhorias na infra-estrutura urbana – moradia, água, esgoto, luz, etc. – e aumento de geração de empregos. Assim, os problemas urbanos não se multiplicaram tanto como nos países subdesenvolvidos. Além disso, pelo fato de gradativamente haver um aumento nos fluxos de mercadorias e pessoas, o processo de industrialização foi também se descentralizando geograficamente. Como resultado, há nos países desenvolvidos uma densa e articulada rede de cidades.

Urbanização em Países Sub-Desenvolvidos

Já os fatores repulsivos são típicos de países subdesenvolvidos, sem indústrias ou com um baixo nível de industrialização. Estão ligados fundamentalmente às péssimas condições de vida existentes na zona rural, em função da estrutura fundiária bastante concentrada, dos baixos salários, da falta de apoio aos pequenos agricultores, do arcaísmo, das técnicas de cultivo, etc. Assim, há uma grande transferência de população para as cidades, notadamente para as grandes metrópoles, criando uma série de problemas urbanos. Tais problemas são resultado de um fenômeno urbano característico de muitos países subdesenvolvidos: a macrocefalia urbana.
Observando a tabela, podemos compreender o fenômeno.

É importante que as metrópoles de São Paulo, de Nova Iorque e de Xangai, que estão entre as cinco maiores do mundo, têm um percentual baixo em relação à população total e urbana de seus países. Porque o total da população do Brasil, dos Estados Unidos e da China é muito grande. Por outro lado a população do Uruguai e da Líbia é muito pequena. Por isso Montevidéu e Trípoli, cidades bem menores, têm um peso tão grande na população total e urbana de seus países. Assim a macrocefalia deve ser entendida como o resultado da grande concentração das atividades econômicas, principalmente dos serviços, e, portanto, da população em algumas cidades, que acabam se tornando muito grandes relativamente. Embora esse fenômeno ocorra também em países desenvolvidos, ele assume proporções maiores nos subdesenvolvidos. Nos países desenvolvidos, como o crescimento das cidades foi lento e bem-estruturado, o fenômeno não assumiu proporções tão grandes como em muitos países subdesenvolvidos, onde o crescimento das cidades foi, além de muito concentrado espacialmente, rápido e desordenado. A conseqüência foi uma série de problemas facilmente percebidos na paisagem urbana desses países.
O crescimento rápido de algumas cidades, que acaba culminando no fenômeno da metropolização, é resultado da incapacidade de criação de empregos, seja na zona rural, seja em cidades pequenas e médias, o que força o deslocamento de milhões de pessoas para as cidades que polarizam a economia de cada país. Acrescente-se a isso o fato de esses países, com raras exceções, apresentarem altas taxas de natalidade e, portanto, alto crescimento demográfico, e está formado o quadro que explica o rápido crescimento das metrópoles no mundo subdesenvolvido.
Mesmo o centro dinâmico dos países subdesenvolvidos não tem capacidade de absorver tamanha quantidade de migrantes, e logo começa a aumentar o número de pessoas desempregadas. Muitos desempregados permanentes, para poder sobreviver, acabam se refugando no subemprego, que é toda forma de trabalho remunerado ou prestação de serviços que funciona à margem da economia formal, compondo, por isso a economia informal ou subterrânea. É a economia que não aparece nas cifras oficiais, pois não tem nenhum tipo de registro e não recolhe nenhum tipo de imposto. Como os rendimentos, em geral, são muito baixos, mesmo para os trabalhadores da economia formal, muitos não tem condições de comprar sua moradia nem de alugar uma casa ou apartamento para viver. Assim. Proliferam cada vez mais as submoradias: favelas, cortiços, pessoas abrigadas debaixo de pontes e viadutos, quando não vivendo ao relento. Essa é a face mais visível do crescimento desordenado das cidades. Os números da tabela abaixo explicitam esse que é um dos mais graves problemas urbanos brasileiros e do mundo subdesenvolvido.
FAVELADOS
(em relação à população total da cidade
Belém
19,5%
Manaus
18,0%
Fortaleza
16,7%
Rio de Janeiro
16,1%
Belo Horizonte
11,8%
Recife
8,3%
Porto Alegre
7,9%
Curitiba
6,8%
São Paulo
6,7%
Salvador
4,0%
(Anuário Estatístico do Brasil, 1994)
*Se considerássemos a população das regiões metropolitanas, o número de favelados aumentaria consideravelmente.
Cria-se, assim, um meio social extremamente favorável à proliferação de outro problema que atormenta o cotidiano de milhões de pessoas nas grandes cidades dos países subdesenvolvidos: a violência urbana. Roubos, assaltos, seqüestros, assassinatos etc. atingem milhares de pessoas todos os anos, fazendo muitas vítimas fatais. Sem contar ainda a violência no trânsito, que faz tantas outras vítimas de acidentes. É por essas razões que o estresse é o "mal do século", atingindo principalmente os habitantes das grandes metrópoles, tanto nos países subdesenvolvidos como nos desenvolvidos, pois muitos desses problemas também ocorrem em metrópoles de países ricos.