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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Resumos Literários

O resumo de livro serve para você relembrar, rever o que foi lido para a hora da prova. Nada substitui a leitura da íntegra do livro!
A leitura de resumos não substitui análise de obras
Fazer uma leitura crítica das principais obras literárias cobradas pelas universidades do Estado ligando-as à realidade de cada período histórico é essencial para que o candidato ao vestibular obtenha um bom desempenho nas provas.
A facilidade de se obter resumos não pode ter a mesma função que a leitura das obras na íntegra, pois é fundamental que os alunos possam entender de forma ampla como são construídos os personagens e o desenrolar de suas histórias.
Os romances dos principais vestibulares são escolhidos com o objetivo de preparar o estudante para uma pesquisa voltada ao próprio ensino. Temas ligados a preconceito, diferentes etnias, êxodo rural e trabalho escravo são temas históricos que fazem parte dos livros mas também são assuntos contemporâneos passíveis de discussão e reflexão dentro das instituições atualmente.
Ele também ressalta que uma das maiores dificuldades do vestibulando em fazer as leituras dos livros são resultantes da falta de hábito e de tempo. "Muitos alunos vêm do ensino médio sem se quer ter lido um livro. Por causa disso, eles têm muita dificuldade de ler um romance do século XVIII, XIX, que tem uma linguagem mais difícil, em tão pouco tempo", comenta.
A utilização de filmes pode facilitar a compreensão de romances, já que representam, muitas vezes, releituras das obras literárias. Desta forma o estudante passa a contar com mais um canal de apreensão das obras, entendendo a história e o contexto social da época em que ocorreram.

Resumos:


O Cortiço- Aluísio de Azevedo (Resumo e Obra completa)
Dom Casmurro- Machado de Assis  ( Resumo e Obra completa)
A Normalista - Adolfo Caminha  (Obra completa) 
Bom-Crioulo- Adolfo Caminha  (Obra completa) 
O mulato - Aluísio de Azevedo  (Resumo e Obra completa)  
Casa de pensão - Aluísio de Azevedo  (Resumo e Obra completa)  
Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente  ( Resumo e Obra Completa)   
Cartas - Camões  (Obra completa)   
Cartas Chilenas - Tomáz Antonio Gonzaga  (Resumo e Obra completa)   
Espumas Flutuantes - Castro Alves  ( Resumo e Obra completa)   
O Guarani - José de Alencar  (Resumo e Obra completa)   
A Mão e a Luva - Machado de Assis  (Obra completa)   
Mensagem - Fernando Pessoa  (Obra completa)
Prosopopéia - Bento Teixeira  (Obra completa)   
Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto  (Resumo e Obra completa)   
Os Sertões - Euclides da Cunha  (Obra completa)   
Cinco Minutos - José de Alencar  (Resumo e Obra completa) 
O Ateneu - Raul Pompéia (Obra completa)
Auto da Alma - Gil Vicente  (Obra completa)
Auto da Índia - Gil Vicente  (Obra completa)  
O Crime do Padre Amaro - Eça de Queiróz (Reumos e Obra completa)   
Esáu e Jacó - Machado de Assis (Resumo e Obra completa)   
Inocência - Visconde de Taunay (Resumo e Obra completa)   
Lucíola - José de Alencar (Resumo e Obra completa)   
Marília de Dirceu - Tomaz Antonio Gonzaga (Resumo e Obra completa)   
O Alienista - Machado de Assis (Resumo e Obra completa)   
Noite na Taverna - Alvares de Azevedo (Resumo e Obra completa) 

Está Aberto o Período de Inscrições para o Vestibular Unicamp 2011

Está aberto o período de Inscrições para o Vestibular Unicamp 2011
A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp, Comvest, abriu as inscrições para o Vestibular Nacional Unicamp 2011. Os candidatos terão até o dia 8 de outubro para se inscrever, utilizando o formulário de inscrição disponível nesta página. A taxa de inscrição é de 120 reais. O Vestibular Unicamp 2011 oferece 3.444 vagas em 66 cursos da Unicamp e dois cursos da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto). O Kit do Vestibulando (baixe aqui - Manual do Candidato e Revista do Vestibulando) é gratuito e deve ser consultado. Todos os programas exigidos para a realização das provas estão disponíveis no Manual do Candidato e na Resolução GR37/2010.

Datas
A primeira fase será realizada no dia 21 de novembro de 2010. Dia 20 de dezembro a Comvest divulgará a lista dos que passaram para a segunda fase e os locais de prova. A segunda fase será realizada nos dias 16, 17 e 18 de janeiro de 2011. As provas de habilidades específicas, para os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Artes Visuais, Dança e Música vão ser realizadas em Campinas entre os dias 24 e 27 de janeiro de 2011. A primeira chamada será divulgada dia 7 de fevereiro e a matrícula dos convocados em primeira chamada deverá ser feita no dia 10 de fevereiro.
Novidades
O novo modelo de vestibular mantém os princípios que vêm norteando o processo seletivo da Unicamp desde o seu início e atualiza os pontos relativos aos programas das disciplinas e das áreas do conhecimento contemplados na estrutura atual do ensino médio. Além disso, aprimora o vestibular enquanto instrumento de seleção. A partir deste ano, na primeira fase, o candidato será solicitado a produzir três textos de gêneros diversos, todos de execução obrigatória. O número de questões passará de 12 questões dissertativas para 48 questões de múltipla escolha. As questões de múltipla escolha da primeira fase serão elaboradas com base nos conteúdos das diversas áreas do conhecimento desenvolvidas no ensino médio segundo a seguinte distribuição: 12 questões de Matemática; 18 questões de Ciências Humanas e Artes; e 18 questões de Ciências da Natureza.
A segunda fase passará a ser realizada em três dias e não mais em quatro dias. As provas da segunda fase serão agrupadas de maneira a estimular a avaliação integrada do conhecimento e a interdisciplinaridade na formulação das questões. Serão aplicadas três provas de 24 questões dissertativas, realizadas durante três dias consecutivos, sendo: 1º dia - 12 questões de Língua Portuguesa e de Literaturas da Língua Portuguesa e 12 questões de Matemática; 2º dia - 18 questões na área de Ciências Humanas e Artes e 6 questões de Língua Inglesa; 3º dia - 24 questões na área de Ciências da Natureza.
Além das mudanças no formato das provas, há alterações de tempo e horário: A duração da prova da primeira fase passará de quatro para cinco horas. Já a duração da segunda fase está mantida em quatro horas a cada dia de prova. O acesso aos locais de provas será permitido até as 13 horas, tanto na primeira quanto na segunda fase, sendo que a recomendação da Comvest é para que os candidatos cheguem com pelo menos uma hora de antecedência.
A Comvest tem disponível, nesta página, o simulado da primeira fase, realizado em maio. Além das questões e propostas de textos de redação, os candidatos podem acessar as resoluções, a expectativa da banca de redação e os exemplos de redações abaixo e acima da média.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Atualidades 48 - 'Aventura Imperialista' no Iraque Encolheu Poder dos EUA

A 'aventura imperialista' dos EUA no
Iraque durou pouco - sete anos


O governo americano encerrou oficialmente sua missão de combate no Iraque à meia-noite de terça-feira, 01/09/2010.
Em fevereiro de 2003, às vésperas da invasão do país pelas tropas americanas, um importante aliado do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, escreveu em um jornal britânico: "Este é o nosso momento de Império". E seguiu argumentando que os britânicos não tinham o direito de criticar os Estados Unidos por fazer o que eles próprios haviam feito com tanto entusiasmo um século antes.

Mas o momento imperialista dos Estados Unidos não durou muito. E agora, sete anos mais tarde, o país é criticado por quase tudo o que acontece no Iraque. A opinião pública está dividida igualmente entre os que estão felizes com a partida americana e os que os criticam por sair tão cedo, deixando o Iraque vulnerável a mais violência sectária.

Como sempre ocorre em ocupações, o invasor - nesse caso, os Estados Unidos - não consegue fazer nada certo, nem mesmo sair do país ocupado. A maioria dos argumentos favorável à invasão em 2003 se esvaziaram.

Muitos iraquianos aprovaram a derrubada de Saddam Hussein. De acordo com uma pesquisa feita pela BBC em 2004, 50% consideraram a invasão uma liberação. Outros 50% consideraram a operação uma ocupação. Hoje, no entanto, é difícil encontrar quem veja os Estados Unidos como um amigo ou mentor do Iraque.

E a derrubada de Saddam Hussein não provocou, como previam os defensores da invasão, um efeito dominó em prol da democracia nos países do Oriente Médio. Muito pelo contrário: a posição dos Estados Unidos no Oriente Médio foi visivelmente erodida.

Corrupção e má administração

Algumas das medidas adotadas pelas autoridades americanas instaladas na Zona Verde, em Bagdá, foram sóbrias, positivas e práticas. Outras, como por exemplo a Constituição que os americanos pressionaram o país a adotar, representam um entrave que dificulta a criação de um governo decente no Iraque.

A equipe de administradores instalada na Zona Verde foi formada às pressas, entre 2002 e 2003, sob supervisão do ex-secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld - um homem sem qualquer interesse em construir nações. Como resultado, casos de corrupção e má administração atingiram níveis grotescos.

Rumsfeld recebeu do Departamento de Estado americano um relatório de 900 páginas contendo planos cuidadosamente detalhados para o período posterior à invasão. Segundo relatos, ele teria jogado o pacote, ainda fechado, direto na lata de lixo.

Quando o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita perguntou ao ex-vice de Bush, Dick Cheney, por que os Estados Unidos insistiam em seguir em frente com a invasão, Cheney respondeu: "Porque dá para ser feito".

O problema, no entanto, começou bem mais acima.

Um respeitado dissidente iraquiano, que mais tarde se tornou vice-presidente, descreveu seu choque ao descobrir, algumas semanas antes da invasão, que o presidente Bush parecia não saber que os muçulmanos no Iraque estavam divididos entre xiitas e sunitas. Generais americanos pareciam sem esperanças de encontrar uma solução para a insurgência que aumentava.

A sorte de Petraeus

As forças americanas, contrariando todas as regras básicas de combate a insurgências, permitiram que o inimigo atacasse, como e quando quisesse, a estrada principal que ligava o aeroporto de Bagdá à Zona Verde.

Os soldados britânicos, com experiência adquirida durante o conflito na Irlanda do Norte, repetiam e voltavam a repetir que patrulhas ocasionais e nervosas de veículos blindados não dariam aos americanos o controle da rota. Os americanos ignoravam o conselho e o problema foi piorando. Foi preciso um especialista em operações contra terrorismo, o general David Petraeus, para inverter a situação. Como a maioria dos generais bem-sucedidos, ele teve sorte.

Petraeus sabia que insurgências têm duração limitada e foi afortunado o suficiente para chegar a Bagdá no momento em que a insurgência começava a diminuir. Os muçulmanos sunitas estavam cada vez mais cansados da violência provocada por sunitas extremistas.

Petraeus encorajou os chamados Conselhos do Despertar, milícias financiadas pelos Estados Unidos onde sunitas tiveram oportunidade de subir na carreira e combater insurgências por membros do partido de Saddam - o partido Baath - e também por simpatizantes da Al-Qaeda.

O número de pessoas dispostas a perder suas vidas em ataques suicidas começou a diminuir. A tática de Petraeus fez mudar a maré. Durante o ápice da violência, por volta de cem pessoas morriam por dia no país, vítimas de bombardeios e tiros. Agora, o número de vítimas da violência política caiu para dez por dia - inaceitável em uma sociedade pacífica, mas um grande alívio para os iraquianos.

Futuro incerto

Ainda assim, muitos iraquianos temem que, sem uma grande presença americana no Iraque, e com o Exército e polícia iraquianos ainda carentes de treinamento, os extremistas violentos no lado xiita e sunita comecem a lutar novamente.

O que quer que aconteça no país na próxima década, os americanos vão levar a culpa. A não ser, é claro, que o Iraque se torne um país pacífico e próspero - e nesse caso, ninguém agradecerá os Estados Unidos. Esse tende a ser o destino de todo poder de ocupação. Vastas quantidades de pessoas morreram, a grande maioria delas, iraquianos. Quantias inimagináveis de dinheiro foram gastas no Iraque e, ainda assim, o país caiu no ranking por riqueza dos países.

E será que os Estados Unidos se beneficiaram? Difícil saber como. Como os britânicos aprenderam na Guerra Boer, na África do Sul, e os russos na invasão do Afeganistão, grandes poderes militares correm grandes riscos ao testar sua força contra oponentes aparentemente fracos.

Os Estados Unidos parecem ter encolhido como resultado direto de sua aventura imperial no Iraque. Vão ter de trabalhar duro para provar ao mundo de que são fortes novamente.

Obama diz que é hora de 'virar a página' em relação à guerra no Iraque


Obama afirmou que EUA têm agora a tarefa de
recuperar economia
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou nesta terça-feira oficialmente encerradas as operações de combate dos EUA no Iraque e afirmou que “é hora de virar a página” em relação ao conflito. Em um discurso transmitido em rede nacional de televisão a partir do Salão Oval da Casa Branca, Obama afirmou que os Estados Unidos pagaram um “preço enorme para colocar o futuro do Iraque nas mãos de seu povo”, mas que o fim do conflito, que teve início em março de 2003, é do interesse de iraquianos e americanos.

Segundo Obama, os EUA têm agora uma tarefa “urgente”, que é a de recuperar sua economia. Mesmos assim, o presidente americano afirmou que o país continuará apoiando o governo e o povo do Iraque. “A operação Liberdade Iraquiana terminou e o povo iraquiano agora assume a responsabilidade pelo futuro de seu país”, disse Obama.

Divergências

Durante seu discurso, Obama afirmou ter conversado com o ex-presidente George W. Bush, que liderou o início da guerra, mas minimizou as divergências entre apoiadores e opositores da atuação americana no conflito que marcaram os últimos sete anos e meio. “É sabido que ele e eu discordamos em relação à guerra desde seu início”. “Mas ninguém pode duvidar do apoio do presidente Bush às nossas tropas, ou de seu amor ao país e comprometimento com nossa segurança. Eu digo que existiram patriotas que apoiaram esta guerra e patriotas que se opuseram a ela”, disse.

Obama citou ainda a atuação americana no conflito no Afeganistão, que teve início ainda antes da guerra do Iraque, em 2001. Segundo ele, a retirada das tropas de combate do Iraque permitirá que os militares americanos encaminhem mais recursos para o Afeganistão, onde os Estados Unidos continuam comprometidos com a derrota do Talebã e da rede extremista Al-Qaeda.

Obama, no entanto, afirmou que a missão americana também terá “um tempo limitado”, até que as forças afegãs possam assumir a segurança do país. “Assim como no caso do Iraque, nós não podemos fazer pelos afegãos o que eles devem fazer por si mesmos”.

Retirada

A retirada das forças de combate americanas do Iraque acontece apesar da violência e da instabilidade política no país. Falando pouco antes do discurso de Obama, o primeiro-ministro do Iraque, Nouri Al-Maliki, comemorou a retirada das tropas de combate dos EUA e disse que o país é agora “soberano e independente”.

Atualmente, a violência no Iraque está abaixo do pico registrado durante os conflitos sectários entre 2006 e 2007, embora o número de mortes de civis tenha aumentado significativamente em julho.

Embora muitos iraquianos tenham comemorado a retirada americana, outros temem que ela esteja ocorrendo muito cedo, e que o país pode não estar preparado para administrar sua própria segurança.

A última brigada de combate dos EUA deixou o Iraque há duas semanas. Cerca de 50 mil homens permanecerão no país para dar apoio às forças iraquianas. Todas as forças americanas devem deixar o Iraque até o final de 2011.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Atualidades 47 - Eleições Mantêm Candidatos Folclóricos, mas Censuram Humoristas

Mesmo com a censura aos programas humorísticos, as eleições gerais de 2010 preservam o aspecto mais burlesco da tradição democrática com as campanhas dos candidatos folclóricos, que contam com votos de protesto ou com a própria fama para conseguirem uma vaga no Congresso.

Desde a Antiguidade, o humor faz parte da democracia como instrumento de crítica aos governantes. No Brasil, a atual legislação proíbe a veiculação de piadas feitas na TV com políticos, ao passo que os partidos acolhem os tipos mais excêntricos e "celebridades" como candidatos.

De acordo com a resolução nº 23.191 de 2009, que atualiza a Lei Eleitoral nº 9.504 de 1997, é vetado aos programas de emissoras de rádio e TV "usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido político ou coligação" (Art. 45, II).

A desobediência à norma prevê a aplicação de multas às emissoras nos valores de R$ 21 mil a R$ 106 mil, duplicadas em caso de reincidência. A lei entrou em vigor nas eleições deste ano, que irão eleger presidente, governadores de 26 Estados e do Distrito Federal e representantes da Câmara dos Deputados e do Senado.

No último dia 22 de agosto, artistas realizaram um protesto no Rio de Janeiro contra a lei que censura o humor político durante o período eleitoral. A manifestação foi organizada pelo movimento Humor Sem Censura.

Para os humoristas, a legislação contraria a liberdade de expressão e afeta programas de TV como o Casseta & Planeta (Globo), CQC (Band) e Pânico (Rede TV!).

No dia 26 de agosto, o ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a regra por meio de uma liminar pedida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). O ministro argumentou que a lei contraria a liberdade de expressão.

A liminar será analisada pelo Supremo, para ser revogada ou ratificada pelos demais ministros. Até que seja julgada, os programas humorísticos estão liberados para fazer piadas com políticos.

No Brasil, o humor em política remonta aos tempos do Império, quando revistas e jornais traziam caricaturas e faziam chacotas sobre a vida na Corte. Até no período da ditadura militar (1964-1985), com a imprensa "amordaçada" pelo regime, publicações alternativas usavam o humor como forma de romper a censura e atacar os generais.

A prática, porém, é muito mais antiga. Na Grécia, berço da democracia ocidental, a comédia surgiu no teatro grego em 488 a.C. As poucas comédias de Aristófanes que foram preservadas revelam ironias contra os políticos da época. Pelo menos um deles, Cleón, teria recorrido à Justiça para tentar silenciar o dramaturgo grego.

A tradição foi mantida na Roma antiga, na Idade Média e no Renascimento , até os dias atuais. Nas sociedades democráticas, como os Estados Unidos, os candidatos respeitam e até mesmo participam de programas humorísticos. É o caso, por exemplo, da caracterização de Sarah Palin, candidata a vice de John McCain , feita pelo programa humorístico Saturday Night Live nas eleições presidenciais de 2008.

Macaco Tião

Há também, no Brasil, a tradição de expressar o descontentamento com a baixa qualidade de candidatos por meio do voto em figuras caricatas e em animais. É uma forma de protesto bem humorado que tem sido usada, atualmente, como estratégia de partidos políticos "nanicos".

Em 1958, o "candidato" mais votado nas eleições para vereador foi Cacareco, um rinoceronte do Zoológico de São Paulo. O animal conseguiu 100 mil votos, cinco mil a mais do que o partido mais votado naquela eleição. O caso foi considerado um emblema na história do voto nulo no país.

Outro "candidato" famoso foi o Macaco Tião, um chipanzé do Zoológico do Rio de Janeiro. A candidatura do macaco à Prefeitura do Rio, em 1988, foi lançada pelos humoristas do Casseta & Planeta, que à época editavam uma revista (Casseta Popular) e um tablóide (O Planeta Diário). O chipanzé obteve 400 mil votos e ficou em terceiro lugar entre os doze candidatos que disputavam a eleição.

Isso só foi possível porque, na ocasião em que Cacareco e Macaco Tião concorreram, os eleitores escreviam o nome dos candidatos em cédulas de papel, o que permitia a contagem de votos para os animais.

A partir das eleições de 1996, as cédulas foram substituídas por urnas eletrônicas. Com isso, ficou impossível votar em candidatos que não fossem reconhecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Começaram, então, a proliferar personagens como Enéas Carneiro, que ficou conhecido pelo bordão "Meu nome é Enéas!". Ele disputou três eleições presidenciais (1989, 1994 e 1998) e chegou a ficar em terceiro lugar.

Nas próximas eleições, além de candidatos conhecidos por envolvimento em casos de corrupção, como Paulo Maluf, Fernando Collor e Jader Barbalho , o eleitor ainda encontrará uma lista de artistas e "celebridades", como a Mulher Pêra, Maguila, Marcelinho Carioca, Ronald Esper e Tati Quebra-Barraco, entre outros.

Um dos mais representativos é o palhaço Tiririca, candidato a deputado federal. Ele afirmou ter sido convidado pelo PR, e confessou não ter a mínima noção do que faz um parlamentar.

Para os partidos, esses candidatos, que canalizam o descontentamento de parte do eleitorado ou usam a fama para conquistar eleitores, são vistos como uma oportunidade de atrair votos para a legenda. Ou seja, os partidos, que deveriam filtrar as candidaturas "exóticas", são os que mais as estimulam. E, diferente dos votos nulos para animais de zoológico, alguns deles conseguem se eleger para o Congresso, como Clodovil, Aguinaldo e Frank Aguiar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Atualidades 46 - 1910 a 2010, Cem Anos de Funai



A Funai, servidores e indígenas comemoram, neste ano, os Cem anos de Indigenismo, e pode ser tema de questões dos vestibulares.

O marco inicial foi o dia 20 de junho de 1910, com a edição do Decreto nº 8.072, pelo presidente Nilo Peçanha., que criou o Serviço de Proteção ao Índio. O SPI foi confiado ao Marechal Cândido Rondon, cuja máxima era "Morrer, se preciso for, matar, nunca". E esse foi o seu norte, durante todo o tempo em que trabalhou, para que os indígenas tivessem realmente a proteção do Estado Brasileiro.

Os acertos do seu trabalho, e de todos os indigenistas que a ele se juntaram, como Francisco Meirelles, os irmãos Villas Boas, Curt Nimuendaju, e tantos outros abnegados, se sobrepuseram aos erros. Prova é o aumento da população indígena que, no final do Império, somariam apenas 500 mil, dos 5 a 6 milhões à época do "descobrimento", caindo para 100 mil, na década de 50, e somando, hoje, mais de um milhão de índios.

Mas o trabalho do Órgão Indigenista não se esgota com esses Cem anos. Muito há, ainda, que se fazer, para que os índios, os verdadeiros donos desta Pindorama, tenham, realmente, os seus direitos respeitados. Essa é uma tarefa que cabe, não apenas à Funai, mas a todos aqueles que comungam dos mesmos ideais de todos aqueles que sabiamente se dedicaram aos índios e à sua causa.

A Fundação Nacional do Índio - FUNAI tem por função estabelecer e executar a Política Indigenista no Brasil, dando cumprimento ao que determina a Constituição de 1988.

Competências da FUNAI

  • Promover a educação básica aos índios;
  • Demarcar
  • Assegurar e proteger as terras tradicionalmente ocupadas por populações indígenas
  • Estimular o desenvolvimento de estudos e levantamentos sobre os grupos indígenas
  • Defender as Comunidades Indígenas
  • Despertar o interesse da sociedade nacional pelos índios e suas causas
  • Gerir o seu patrimônio e fiscalizar as suas terras, impedindo as ações predatórias de garimpeiros, posseiros, madeireiros e quaisquer outras que ocorram dentro de seus limites e que representem um risco à vida e à preservação desses povos.
A origem dos povos americanos

Os habitantes do continente americano descendem de populações advindas da Ásia, sendo que os vestígios mais antigos de sua presença na América, obtidos por meio de estudos arqueológicos, datam de 11 a 12,5 mil anos. Todavia, ainda não se chegou a um consenso acerca do período em que teria havido a primeira leva migratória.

Os povos indígenas que hoje vivem na América do Sul são originários de povos caçadores que aqui se instalaram, vindo da América do Norte através do istmo do Panamá, e que ocuparam virtualmente toda a extensão do continente há milhares de anos. De lá para cá, estas populações desenvolveram diferentes modos de uso e manejo dos recursos naturais e formas de organização social distintas entre si.

Não existe consenso também, entre os arqueólogos, sobre a antigüidade da ocupação humana na América do Sul. Até há alguns anos, o ponto de vista mais aceito sobre este assunto era o de que os primeiros habitantes do continente sul-americano teriam chegado há pouco mais de 11 mil anos.

No Brasil, a presença humana está documentada no período situado entre 11 e 12 mil anos atrás. Mas novas evidências têm sido encontradas na Bahia e no Piauí que comprovariam ser mais antiga esta ocupação, com o que muitos arqueólogos não concordam. Assim, há uma tendência cada vez maior de os pesquisadores reverem essas datas, já que pesquisas recentes vêm indicando datações muito mais antigas.

A chegada do europeu

O impacto da conquista européia sobre as populações nativas das Américas foi imenso e não existem números precisos sobre a população existente à época da chegada dos europeus, apenas estimativas. As referentes à população indígena do território brasileiro em 1500 variam entre 1 e 10 milhões de habitantes.

Estima-se que só na bacia amazônica existissem 5.600.000 habitantes. Também em termos estimativos, os lingüistas têm aceito que cerca de 1.300 línguas diferentes eram faladas pelas muitas sociedades indígenas então existentes no território que corresponde aos atuais limites do Brasil.

Dezenas de milhares de pessoas morreram em conseqüência do contato direto e indireto com os europeus e as doenças por eles trazidas. Doenças hoje banais, como gripe, sarampo e coqueluche, e outras mais graves, como tuberculose e varíola, vitimaram, muitas vezes, sociedades indígenas inteiras, por não terem os índios imunidade natural a estes males.

Em face da ruptura demográfica e social promovida pela conquista européia, foi sugerido que os padrões de organização social e de manejo dos recursos naturais das populações indígenas que atualmente vivem no território brasileiro não seriam representativos dos padrões das sociedades pré-coloniais.

Esse é um ponto controvertido entre os pesquisadores, pois ainda não há dados suficientes advindos de pesquisas arqueológicas, bioantropológicas e de história indígena enfocando o impacto do contato europeu sobre as populações nativas para que se possa fazer tal afirmativa.

O atual estado de preservação das culturas e línguas indígenas é conseqüência direta da história do contato das diferentes sociedades indígenas com os europeus que dominaram o território brasileiro desde 1500. Os primeiros contatos se deram no litoral e só aos poucos houve um movimento de interiorização por parte dos europeus.

O deslocamento da população

Quando se observa o mapa da distribuição das populações indígenas no território brasileiro de hoje, podem-se ver claramente os reflexos do movimento de expansão político-econômica ocorrido historicamente.

Os povos que habitavam a costa leste, na maioria falantes de línguas do Tronco Tupi, foram dizimados, dominados ou refugiaram-se nas terras interioranas para evitar o contato.

Hoje, somente os Fulniô (de Pernambuco), os Maxakali (de Minas Gerais) e os Xokleng (de Santa Catarina) conservam suas línguas. Curiosamente, suas línguas não são Tupi, mas pertencentes a três famílias diferentes ligadas ao Tronco Macro-Jê.

Os Guarani, que vivem em diversos estados do Sul e Sudeste brasileiro e que também conservam a sua língua, migraram do Oeste em direção ao litoral em anos relativamente recentes.

As demais sociedades indígenas que vivem no Nordeste e Sudeste do País perderam suas línguas e só falam o português, mantendo apenas, em alguns casos, palavras esparsas, utilizadas em rituais e outras expressões culturais.

A maior parte das sociedades indígenas que conseguiram preservar suas línguas vive, atualmente, no Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Nas outras regiões, elas foram sendo expulsas à medida em que a urbanização avançava.

O índio hoje

Hoje, no Brasil, vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,25% da população brasileira. Cabe esclarecer que este dado populacional considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias, havendo estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive em áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.


Os Temas que Dominam o Conflito Israelense-palestino

Dezessete anos depois do início do processo de paz israelense-palestino de Oslo, as posições dos dois lados continuam cada vez mais distantes. Confira os principais pontos que devem ser levados à mesa de negociações, que será mediada pelo presidente americano Barack Obama a partir de 02/10/2010:

1. Criação de um estado palestino e seus poderes - Os palestinos querem proclamar um estado soberano no conjunto dos territórios palestinos ocupados por Israel em junho de 1967: Jerusalém Oriental, toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Israel reclama a desmilitarização deste estado, o controle de seu espaço aéreo e de suas fronteiras.

2. Traçado das fronteiras do estado palestino, destino das colônias - Os palestinos exigem uma retirada israelense de todos os territórios ocupados desde 1967, mas estão dispostos a aceitar modificações fronteiriças menores com base em trocas de terras equivalentes. Israel descarta categoricamente voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas está disposto a aceitar retiradas na Cisjordânia. Quer anexar os blocos de assentamentos onde vive a grande maioria dos 300.000 colonos judeus, à parte de Jerusalém Oriental. Os palestinos exigem o congelamento da colonização, que compromete a continuidade territorial do futuro estado. Já advertiram que a retomada das atividades de colonização marcaria o fim das conversações.

3. Estatuto de Jerusalém - Israel considera Jerusalém, incluindo a parte oriental, como sua capital "indivisível e eterna". A Autoridade Palestina quer fazer de Jerusalém Oriental, cuja anexação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional e onde vivem 260.000 palestinos e mais de 200.000 israelenses, a capital de seu estado. Israel insiste em manter o controle de toda a área da Cidade Antiga, sede de alguns dos principais locais sagrados das três religiones monoteístas (islamismo, judaísmo e cristianismo). Os palestinos são categoricamente contrários a isto.

4. Destino dos refugiados - Há 4 milhões de refugiados palestinos, em sua grande maioria descendentes de 700.000 palestinos que fugiram ou foram expulsos de suas terras durante a criação do estado de Israel, em 1948. Os palestinos exigem que Israel reconheça um direito ao retorno dos refugiados em suas fronteiras, de acordo com resolução 194 da Assembleia Geral da ONU. Na prática, os negociadores palestinos insistem sobretudo no reconhecimento do princípio deste direito mais que em sua aplicação, que de fato dependeria de Israel - que rejeita categoricamente a aplicação do "direito ao retorno". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quer que os palestinos reconheçam Israel como "o estado do povo judeu" para que, segundo ele, fique garantido que a questão dos refugiados será resolvida dentro do futuro estado palestino.

5. Controle da água - Israel se reserva grande parte dos lençóis freáticos no subsolo da Cisjordânia. Os palestinos reclamam uma distribuição equitativa.

Atualidades 45 - 56 Anos do Suicídio de Getúlio Vargas

No dia 24 de agosto de 1954, entre 8h25 e 8h40 da manhã, o presidente da República, Getúlio Vargas, se suicidou com um tiro no coração. Deixou uma carta-testamento dirigida ao povo brasileiro. Em um dos trechos dessa carta, ele diz: Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente (...)

Vejamos o que aconteceu para que Vargas se suicidasse. E entender o significado da carta que ele deixou.



A crise na imprensa
Vargas ao poder, em 1951, provocou uma reação contrária de muitas pessoas, que tentaram inclusive impedir a sua posse. Isso, em grande parte, estava ligado ao fato de ele ter governado durante o período do Estado Novo como o ditador que suprimiu as liberdades democráticas, impôs censura rigorosa à imprensa, pôs os adversários do regime na cadeia.

Havia ainda outro aspecto da sua forma de governar que não era muito bem aceito pela oposição: ele se dirigia diretamente ao povo, fazia grandes comícios em que prometia melhorar a situação dos trabalhadores, em vez de utilizar instituições como partidos políticos, sindicatos, associações. Ele não estimulava o fortalecimento dessas instituições.

Como está dito na carta-testamento, Vargas voltou em 1951 como presidente eleito pelo povo e com as instituições democráticas em pleno funcionamento. Mas os antigetulistas não acreditavam que ele fosse respeitar as regras democráticas. Entre os maiores adversários civis do governo estava a UDN, que formou
um bloco oposicionista junto com o Partido Libertador (PL), o Partido Republicano (PR) e o Partido Democrata Cristão (PDC).

Os jornais de maior prestígio também não apoiavam o governo. O principal líder e porta-voz da oposição era o jornalista Carlos Lacerda, diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Lacerda se destacou por suas posições radicais e por ter uma grande capacidade verbal. Seus discursos eram inflamados, tinham um tom emocional e causavam forte impressão.

A política de desenvolvimento do governo Vargas provocava muitos conflitos dentro da própria equipe de governo. De um lado estava a Assessoria Econômica, com uma posição mais nacionalista. De outro lado, o grupo do ministro da Fazenda, Horácio Lafer, e do ministro da Relações Exteriores, João Neves da Fontoura, favorável a uma maior participação do capital estrangeiro na nossa economia.

Além disso, Vargas teve de enfrentar outras dificuldades. Uma delas foi o aumento da inflação. Quando ele assumiu o governo, em janeiro de 1951, a taxa anual de inflação era de 12,34%. Mas, em 1954, chegou a 25,86% - o que, para a época, era muito.

A explicação para esse aumento estava no fato de que, para industrializar o país, era necessário fazer muitas compras de máquinas e matérias-primas no exterior, ou seja, aumentar as importações.

Nessa época houve também um grande aumento dos preços no mercado internacional, devido à Guerra da Coréia. O conflito entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul durante os anos de 1950 e 1953 foi o ponto culminante da chamada Guerra Fria. A China apoiou a invasão da Coréia do Norte à Coréia do Sul, e os Estados Unidos apoiaram a Coréia do Sul. O conflito termina em 1953 com o reconhecimento das duas Coréias pelos Estados Unidos e pela União Soviética.

O Brasil tinha de pagar mais caro pelos produtos que comprava no estrangeiro. Dos produtos que exportávamos, o único que permitia o equilíbrio das nossas contas externas era o café. O algodão, que figurava como segundo produto de exportação brasileiro, teve uma queda enorme de preços no mercado internacional. Além disso tudo, o Brasil também se endividou internamente.

O Banco do Brasil foi muito generoso, nesse período, com os empresários nacionais. Financiou a instalação, a expansão e a modernização de muitas indústrias.

Conclusão: o Estado aumentou muito os seus gastos - e, quando o Estado gasta mais do que arrecada, vem a inflação. Com o aumento da inflação, aumentou o custo de vida: os salários perderam valor, e os trabalhadores e os sindicatos começaram a pedir reajustes salariais.


Vargas e a imagem do “bom velhinho”
Em janeiro de 1953, irrompeu no Rio de Janeiro a primeira de uma série de greves de trabalhadores: foi a dos têxteis, pedindo um aumento salarial de 60%. Em março foi a vez dos operários paulistas, que decretaram uma greve geral. Os empresários acusavam Vargas de responsável pela série de greves que começavam a eclodir. Diziam que ele utilizava o PTB para insuflar essas greves. Seu objetivo seria estabelecer um clima de desordem no país e, com isso, favorecer um golpe
para continuar no poder.

Para solucionar as dificuldades econômicas e os problemas sociais e diminuir a pressão que lhe faziam a oposição e a imprensa, ainda em 1953 Vargas resolveu mudar o seu ministério. Para ser ministro do Trabalho, convidou João Goulart - um jovem político gaúcho, do PTB, que tinha boas relações com os líderes sindicais. Para o Ministério da Fazenda, convidou seu amigo Osvaldo Aranha, que se dedicou ao combate da inflação.

Mas a escolha de Goulart foi a que trouxe os maiores problemas. Provocou descontentamento entre os opositores, principalmente entre os políticos da UDN e os militares antinacionalistas. A imprensa começou a divulgar que essa escolha tinha outras intenções. Uma delas seria formar, no Brasil, uma “república sindicalista”. Essa “república” seria um governo no qual os sindicatos de trabalhadores teriam grande poder. Dizia-se na época que Vargas estava tentando fazer uma aliança com o presidente da Argentina, Juan Domingo Perón, para estabelecer aqui um regime sindicalista sob seu controle. Com isso, os antigetulistas queriam dizer que Vargas estava tramando derrubar o regime democrático.

Sempre a desconfiança, o medo de que ele repetisse o golpe de 1937. Ou seja, o passado de Vargas o condenava. E os udenistas conspiravam para afastá-lo do governo.

EM TEMPO
Para solucionar as dificuldades econômicas e os problemas sociais e diminuir a pressão que lhe faziam a oposição e a imprensa, ainda em 1953 Vargas resolveu mudar o seu ministério.
Para ser ministro do Trabalho, convidou João Goulart - um jovem político gaúcho, do PTB, que tinha boas relações com os líderes sindicais. Para o Ministério da Fazenda, convidou seu amigo Osvaldo Aranha, que se dedicou ao combate da inflação.
Mas a escolha de Goulart foi a que trouxe os maiores problemas. Provocou descontentamento entre os opositores, principalmente entre os políticos da UDN e os militares antinacionalistas. A imprensa começou a divulgar que essa escolha tinha outras intenções. Uma delas seria formar, no Brasil, uma “república sindicalista”.
Essa “república” seria um governo no qual os sindicatos de trabalhadores teriam grande poder. Dizia-se na época que Vargas estava tentando fazer uma aliança com o presidente da Argentina, Juan Domingo Perón, para estabelecer aqui um regime sindicalista sob seu controle. Com isso, os antigetulistas queriam dizer que Vargas estava tramando derrubar o regime democrático.
Sempre a desconfiança, o medo de que ele repetisse o golpe de 1937. Ou seja, o passado de Vargas o condenava. E os udenistas conspiravam para afastá-lo do governo.
Havia, assim, um descontentamento no meio militar, sobretudo entre os oficiais anticomunistas e antipopulistas que não aceitavam a forma de governar de Vargas. Com todas essas críticas, João Goulart pediu demissão do Ministério do Trabalho, saindo com uma imagem de político que queria favorecer os trabalhadores.

Vargas busca uma saída

Diante de uma oposição cada vez mais bem organizada e mais agressiva, Vargas achou que a saída era ter uma postura mais nacionalista e mais popular.

No dia 1º de maio de 1954, assinou um decreto aumentando afinal o salário mínimo em 100%. Vargas se refere a esse fato na carta-testamento, dizendo que o aumento desencadeou ódios. É verdade que esse sentimento existia, tanto da parte dos militares como dos políticos e empresários, que passaram a se organizar para tirar Vargas do governo. E as posições nacionalistas do presidente também provocavam a desconfiança dos capitais e das empresas estrangeiras.

Por outro lado, Vargas não conseguia convencer os nacionalistas das suas intenções. A sua forma de agir, tentando sempre conciliar, fazendo concessões aos adversários, trazia desconfianças para os seus próprios aliados.

Os jornais de maior circulação no Rio de Janeiro - como O Globo, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário Carioca e O Jornal - e em São Paulo - como O Estado de S. Paulo e a Folha da Manhã - não davam notícias sobre as realizações do governo: só apresentavam críticas e aspectos negativos. Vargas procurou solucionar essa dificuldade de comunicação com o público ajudando na criação do jornal Última Hora. O Banco do Brasil fez empréstimos vantajosos para o seu proprietário, o jornalista Samuel Wainer, que era amigo de Vargas. Era um jornal popular muito bem feito. Em pouco tempo, alcançou grande número de leitores. Os outros jornais desconfiaram que Wainer recebera ajuda do governo e começaram a buscar provas para incriminar Vargas. Mas não conseguiram.

Vargas sofria cada vez mais acusações de estar favorecendo os amigos, de que seu governo cometia muitos erros, de que havia muita corrupção. Carlos Lacerda fazia grandes discursos, nos quais atacava de maneira agressiva a figura de Vargas. A Tribuna da Imprensa era o mais violento dos jornais contra Getúlio. Nesse ambiente de paixões, em 5 de agosto de 1954, ocorreu o chamado atentado da Toneleros.

EM TEMPO
Você sabe o que foi o atentado da Toneleros?
O jornalista Carlos Lacerda foi alvo de uma tentativa de assassinato: ao chegar em casa, na rua Toneleros, em Copacabana, no Rio de Janeiro, um desconhecido atirou contra ele. Mas foi um amigo do jornalista - o major da Aeronáutica Rubem Florentino Vaz - quem foi atingido e morreu. Lacerda foi ferido no pé.
A oposição atribuiu a responsabilidade por esse atentado ao governo Vargas. Foi instalada uma comissão de inquérito que rapidamente chegou à identificação dos culpados. O responsável direto era o chefe da guarda pessoal de Vargas no palácio do Catete, Gregório Fortunato.

A partir daí, os acontecimentos se precipitaram. Vargas procurou demonstrar que não tinha conhecimento prévio desse atentado, e que tudo faria para esclarecer a situação e punir os responsáveis. Mas os políticos - principalmente da UDN - e os militares passaram a exigir a sua renúncia ao governo. Foi sobre Vargas que recaíram todas as responsabilidades pelos males que afligiam o país. Foi na sua pessoa que se concentraram todas as críticas e todos os ódios, tanto dos políticos, dos militares como dos empresários.



Vargas e Gregório Fortunato (atrás, de chapéu)
"Saio da vida para entrar na história"

As pressões para deixar o Palácio do Catete levaram Vargas ao suicídio, no dia 24 de agosto de 1954. O suicídio teve enorme impacto na população e provocou forte reação popular. A carta-testamento, encontrada na mesa de cabeceira do presidente morto, foi lida e divulgada pela Rádio Nacional, chegando rapidamente a todos os recantos do Brasil.

Nessa carta, da qual você já conhece um trecho, Vargas se apresentava como o grande defensor da classe trabalhadora e como o político que tudo fizera para tornar o Brasil um país desenvolvido. Apresentava-se também como vítima de grupos nacionais e estrangeiros que não aceitavam que os trabalhadores tivessem garantidos os seus direitos sociais. Esses grupos, dizia o presidente, faziam tudo para impedir que o Brasil se tornasse independente economicamente.

Vargas, mais uma vez, explorava a figura do “pai dos pobres”, daquele que concedera aos trabalhadores os seus direitos. Com a carta-testamento, deixou uma imagem de herói, daquele que lutou pelo bem do país mas que teve de se sacrificar, porque perdeu a batalha final.

Vejamos o que dizia Vargas em outros trechos dessa carta:

Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

Podemos imaginar que sentimentos essa carta despertou na população. Ao tomar conhecimento do suicídio e dessa mensagem, o povo foi para as ruas chorar a morte do seu líder e se vingar dos seus opositores, daqueles que foram identificados como os responsáveis pela sua morte.

No Rio de Janeiro, uma multidão foi para o palácio do Catete para prestar a última homenagem ao presidente. No centro da cidade, grupos se formaram para apedrejar e incendiar os jornais de oposição. Foram feitas tentativas de apedrejar a embaixada americana e empresas estrangeiras.

Em São Paulo, milhares de operários entraram em greve de protesto e se manifestaram contra os opositores de Vargas. Em Porto Alegre, foram queimados os jornais anti-Vargas e foram atacadas as sedes da UDN e do Partido Libertador. Em Belo Horizonte e Recife, a população também foi para as ruas se manifestar contra os opositores do presidente morto.

A emoção, a tristeza e o desespero popular foram tão fortes que atemorizaram e desconcertaram os antivarguistas, que esperavam, com o afastamento de Vargas, liquidar o getulismo.

A Era Vargas, na verdade, não terminou em 1954. Sob muitos aspectos, ela sobrevive até hoje, como nós já vimos. A forma como Getúlio decidiu sair da vida para entrar na história permitiu a sobrevivência da democracia até 1964. Permitiu também a continuidade da sua política desenvolvimentista com Juscelino Kubitschek.

A carta-testamento, como ele queria, transformou-se em bandeira de luta para o PTB e para todos os getulistas. Vargas é um dos raros personagens da nossa história que ficaram na memória popular. Muitas são as razões que podem explicar esse fenômeno. Uma delas é o fato de ele ter permanecido longo tempo no cenário político. Governou o Brasil durante quase 19 anos. Uma segunda razão foi o fato de que com ele, e por meio do seu governo, o Brasil entrou na era da industrialização, deixou de ser um país agrícola.

Mas é preciso também levar em consideração as suas relações com o povo, com os trabalhadores urbanos, a forma como ele se dirigia às massas, e, principalmente, a implantação da legislação trabalhista entre nós, nas décadas de 1930 e 1940. Nessa época, ainda era difícil, para as elites brasileiras, a aceitação dos direitos sociais como algo fundamental nas sociedades modernas. O suicídio foi outro elemento que, sem dúvida, contribuiu para a permanência tão forte da imagem de Vargas no seio da população. Esse gesto, junto com a carta-testamento, transmitiu a imagem do sacrifício, do homem que deu a vida pelo bem do Brasil e pelo povo brasileiro.