UFG discute adesão integral ao Sisu como forma de processo seletivo
Atualmente, 50% das vagas da universidade já são destinadas ao sistema.
Assunto será debatido em reunião; estudantes se dividem sobre mudança.
A Universidade Federal de Goiás (
UFG)
começa a discutir nesta segunda-feira (5) se adere integralmente ao
Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza exclusivamente a nota
do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de processo
seletivo. Atualmente, a universidade destina 50% das vagas para esse
sistema e os outros 50% para o vestibular tradicional. Se a adesão
integral for aprovada, esta passará a ser a única forma de ingresso na
universidade.
De acordo com o reitor da UFG, Orlando Afonso Valle do Amaral, o
objetivo da discussão é definir se a universidade deve manter o sistema
atual ou passar a ter até 100% de adesão ao Sisu. “Desde o início do
Sistema de Seleção Unificada, a UFG fez uma adesão gradativa e chegamos a
50% das vagas destinadas a ele. Agora queremos discutir se devemos
manter os mesmos percentuais atuais ou ampliar, chegando até a usar o
Sisu como única forma de processo seletivo”, explicou em entrevista ao
G1.
Ainda segundo o reitor, se aprovada, a mudança só deve começar a valer
no processo seletivo do final deste ano, para início do curso em 2015.
“A reunião da Câmara de Graduação desta vez vai discutir esse tema e
para isso vamos ter a presença de Custódio Luís Silva de Almeida, que é
presidente do Colégio de Pró-Reitores de Graduação das Instituições
Federais de Ensino Superior (Cograd), e do professor Miguel Franklin de
Castro, ambos da Universidade Federal do Ceará (UFC), que já adotou esse
sistema de adesão integral ao Sisu”, explicou o reitor.
Além deles, também devem participar do encontro os professores da UFG
Wagner Wilson Furtado, que também é presidente do Centro de Seleção
(CS), Eliane Stacciarini, coordenadora pedagógica do CS, e Valquíria da
Rocha Santos Veloso, diretora do Centro de Gestão Acadêmica.
“Nosso objetivo é ficar por dentro de experiências já vividas, como a
da Universidade Federal do Ceará, para avaliarmos os prós e contras da
adesão integral ao Sisu. Já sabemos que isso não vai interferir
diretamente no perfil dos alunos selecionados, mas pode refletir na
questão da ocupação de vagas, principalmente daquelas que ficam
ociosas”, explicou o reitor.
De acordo com Orlando, a maioria das vagas que têm baixa procura é
voltada para as licenciaturas. “Isso nos preocupa muito, pois precisamos
de professores e registramos pouco interesse em cursos como física,
matemática, biologia, química, entre outros, principalmente nos campus
da UFG que ficam no interior do estado. Sendo assim, muitas vezes o
número de candidatos fica abaixo do de vagas oferecidas. Por isso,
queremos discutir se o Sisu pode ajudar a reverter essa situação, uma
vez que estudantes de todo o país poderão se candidatar para essas
vagas”, afirmou o reitor.
Ingresso na UFG pode ser apenas pelo Sisu (Foto: Divulgação/Carlos Siqueira)
Opiniões
Os futuros candidatos a vagas na UFG, que são os mais interessados na
mudança, se dividem sobre o assunto. Para a estudante Thaís Borges, 20
anos, que pretende estudar engenharia da computação, a seleção apenas
pelo Sisu pode facilitar a preparação.
“Temos que estudar para o Enem e para o vestibular. Acho que se tudo
for avaliado pela nota do Enem, como o Sisu faz, isso será muito bom,
pois passaremos a nos preocupar apenas com uma prova só. Acredito que a
adesão integral ao Sisu vai ajudar os estudantes”, afirmou ao
G1.
Já para o estudante Victor Fernando Rodrigues da Silva, 25 anos, que
quer disputar uma vaga para medicina na UFG, diz que a mudança vai
deixar o processo seletivo ainda mais concorrido. “Hoje em dia do jeito
que é feito já é complicado e vai ficar ainda mais difícil quando todos
os estudantes do país puderem se candidatar. O Sisu unifica demais os
processos seletivos e não acredito que isso será vantajoso”, afirmou.
Ainda segundo Victor, a nota obtida no Enem nem sempre condiz com as
capacidades do aluno. “O Enem é muito cansativo, a prova é muito longa,
então o candidato acaba mais avaliado pela resistência do que pelos seus
conhecimentos. Já o vestibular da UFG era muito mais leve e específico.
Por isso prefiro que o processo tradicional seja mantido”, concluiu o
jovem.
Fonte: G1.com