
Tudo, no projeto para a obra em Belo Monte é gigantesco. E talvez seja isso que deixa os ambientalistas atentos desde a década de 80. A usina hidrelétrica foi projetada para barrar o Rio Xingu, um dos maiores da bacia Amazônica. A água vai ser desviada por imensos canais, de 250 metros de largura. Eles vão alimentar um lago, inundando 516 quilômetros quadrados de terra. É de um reservatório que sairá a água para rodar as turbinas da terceira maior usina do mundo.
Mas não são os números impressionantes que devem cair no vestibular. A história da usina, que já corre há mais de 30 anos, é que vale dar uma olhada.
Fique de olho:
Durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro em Altamira (PA), a índia Tuíra, em sinal de protesto, levantou-se da plateia e encostou a lâmina de seu facão no rosto do presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz, estatal do governo, quando falou sobre da usina Kararaô (atual Belo Monte). A cena foi reproduzida em jornais e tornou-se histórica. O encontro teve a presença do cantor Sting. O nome Kararaô foi alterado para Belo Monte em sinal de respeito aos índios.
Cinco anos depois, o projeto foi remodelado para tentar agradar ambientalistas e investidores estrangeiros. Uma das mudanças preserva a Área Indígena Paquiçamba de inundação. Mais tarde, depois de uma crise energética no país, foi divulgado um plano de emergência de US$ 30 bilhões para aumentar o número de usinas no país, o que inclui a construção de 15 hidrelétricas, entre elas Belo Monte. Entre outros processos resultantes dessa aceleração, a Justiça Federal determinou a suspensão dos Estudos de Impacto Ambiental.
Depois de muitas manifestaçõe, até o diretor do filme “Avatar” decidiu defender a causa dos índios. Reuniu-se com lideranças da região e engajou-se na luta no ano passado. Ou seja: não é uma questão meramente da política brasileira. Há mobilizações internacionais que intervêm em atividades ambientais brasileiras. Por isso, as notícias sobre o tema não podem passar em branco.
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