UFMG
registou mais de 186 mil inscrições e mais de 146 mil candidatos
inscritos para cerca de 3,5 mil vagas (Foto: Raquel Freitas/G1)
No primeiro ano de adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o
número de inscrições na disputa por uma das vagas da Universidade
Federal de
Minas Gerais
(UFMG) aumentou mais de três vezes em relação ao último vestibular.
Para a vice-reitora da instituição, Rocksane Norton os “números não
mentem”, e a nova forma de seleção pode ser considerada “um sucesso”.
“Eu acho que [o Sisu] é um avanço, eu tenho convicção de que isso é um
avanço para a sociedade brasileira, um avanço para a educação
brasileira. Os países desenvolvidos têm exames unificados para acesso às
universidades. E isso tem reflexo tanto para o avançar das
universidades quanto para o avançar do ensino público fundamental e
médio”, avalia.
De acordo com dados divulgados pela universidade, para entrada no
primeiro semestre 2014, em que são oferecidas mais de 3,5 mil vagas,
houve 186.123 inscrições e 146.101 candidatos inscritos, já que cada
aluno poderia concorrer em mais de um curso oferecido pela instituição.
Já na seleção anterior, quando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) era válida somente para a primeira etapa do vestibular, foram
60.273 pessoas inscritas.
Para vice-reitora, Sisu é avanço para sociedade e para educação (Foto: Raquel Freitas/G1)
Segundo o Ministétrio da Educação (MEC), a instituição mineira foi a
segunda com maior número de inscrições, atrás apenas da Universidade
Federal do Ceará (UFC). Segundo Rocksane, além da boa avaliação dos
cursos de graduação e pós-graduação frente a outras universidades
brasileiras, a localização da
UFMG contou para que ela constasse na lista das mais procuradas.
A vice-reitora também afirma que o vestibular da UFMG sempre foi muito
bem feito, porém apresentava restrição quanto à abrangência. “O universo
de pessoas que ele [vestibular] atendia é muito restrito, comparado ao
Sisu”, pontua. Segundo ela, com o sistema, pessoas de outros estados e
mesmo de outras cidades mineiras que antes não se candidatavam à
instituição por dificuldades de deslocamento, por exemplo, passaram a
ter possibilidade de participar da seleção mais facilmente.
Os dados repassados pela UFMG ainda mostram que houve aumento de
aproximadamente 10% de alunos vindos de outros estados, porém mais de
80% dos aprovados são procedentes de Minas Gerais. “O que na minha
interpretação aconteceu é o seguinte. As pessoas que eram da região do
Triângulo Mineiro, que antigamente só faziam vestibular lá, em Uberaba e
em Uberlândia, porque elas não davam conta de ficar viajando para Belo
Horizonte, porque é caro, porque é difícil, elas tiveram oportunidade de
lá fazerem o vestibular de medicina daqui”, exemplifica Rocksane.
Depois de Minas, São Paulo e Espírito Santo são os estados que mais
originaram futuros alunos da instituição.
Mais números
A universidade avalia que as notas de corte para os 75 cursos
oferecidos foram bastante altas. Medicina, que comumente aparece entre
as opções mais difíceis da UFMG, registrou a maior pontuação mínima:
805,72. Em segundo lugar, ficou engenharia química, que registrou 786
pontos, e engenharia aeroespacial, com 779,08 pontos.
Curso de administração noturno, da Faculdade de Ciências Econômicas, foi o mais concorrido da UFMG (Foto: Raquel Freitas/G1)
Entretanto, nesta seleção, medicina, que era o curso mais concorrido da
universidade desde 2006, não ficou nem entre os 15 mais procurados.
Entre as cinco graduações mais concorridas, quatro são oferecidas no
período da noite. O curso de administração noturno liderou este ranking,
com o índice de 152,72 candidatos por vaga. Na sequência, estão
psicologia manhã, administração noturno (Montes Claros), direito noturno
e arquitetura noturno. Medicina, que teve relação de 76,75 candidatos
por vaga, só aparece na 17ª colocação.
Outro dado destacado pela vice-reitora diz respeito à nota de corte dos
candidatos cotistas, que, segundo ela, foram semelhantes às de entrada
aberta. De acordo com Rocksane Norton, em sete cursos, “egressos de
ensino público tiveram notas de corte superiores à ampla concorrência”.
“Isso desmistifica aquela história que aluno que vem de escola pública é
um aluno menos preparado que o aluno que vem de escola privada”,
afirma.
Diversidade
A vice-reitora diz que ainda não é possível fazer uma análise detalhada
do perfil dos aprovados, mas a adoção ao Sisu pressupõe o aumento da
diversidade entre os alunos da instituição. Segundo ela, essa
possibilidade de maior convívio com a diferença estimula a universidade.
“Nós achamos que o caminho para as universidades brasileiras é ampliar
horizontes”, avalia. Segundo ela, o recebimento de alunos de outras
regiões do país e do mundo e o envio de alunos da UFMG a outras
universidades são experiências que enriquecem o ensino e a aprendizagem.
Os estudantes de baixa renda que vierem de outros estados poderão ter
acesso à assistência estudantil oferecida pela instituição. A Fundação
Mendes Pimentel (Fump) conta com programas de auxílio a moradia,
alimentação, transporte e aquisição de material. Além de bolsa para
financiar habitação, há 740 vagas nas moradias universitárias,
localizadas em Belo Horizonte e em Montes Claros.
Fonte: G1.com