Ocupação de 2013 foi a mais destrutiva dos últimos anos, diz USP
Por 42 dias, alunos ocuparam prédio que foi reintegrado nesta terça.
Salas foram pichadas com dizeres contra o reitor e polícia.
Após perícia realizada no prédio da reitoria, que passou por
reintegração de posse na manhã desta terça-feira (12),
a Universidade de São Paulo (USP) afirmou, por meio de sua assessoria
de imprensa, que a ocupação de 42 dias realizada por estudantes
grevistas foi a que mais danificou o edifício nos últimos anos.
Segundo a
USP, o prédio da reitoria foi ainda mais destruído do que nas ocupações de 2007 e 2011 (
saiba mais sobre as ocupações anteriores abaixo).
Em várias salas há pichações contra o reitor, polícia e o preconceito.
Gavetas e armários foram revirados e documentos jogados no chão no andar
térreo. A USP faz levantamento do que foi quebrado.
Antes da ocupação, que começou em 1º de outubro, o reitor já havia
transferido seu gabinete para um prédio novo. Atualmente, no prédio que
havia sido ocupado, funcionam a USP inovação (projetos de pequenas
empresas), USP internacional, Secretária-Geral, Superintendência de
Segurança, Relações Institucionais, Vice-Reitoria, Sala do Conselho e
anexo da Pró-Reitoria. A Vice-Reitoria também vai ser transferida para o
edifício novo.
Camas usadas pelos estudantes na ocupação da Reitoria (Foto: Letícia Macedo/G1)
Reintegração de posse
A Tropa de Choque cercou o prédio no fim da madrugada e a reintegração
de posse ocorreu por volta das 5h30. Todos os alunos saíram do prédio e,
por volta das 7h30, a maioria dos policiais já havia deixado a USP.
Na manhã de quarta-feira (6), o Tribunal de Justiça de
São Paulo
(TJ-SP) entregou aos estudantes a notificação da decisão judicial
favorável à reintegração de posse. O Diretório Central Estudantil (DCE)
chegou a entrar com recurso.
No total, 250 policiais, quatro carros do Choque e dois carros do Corpo
de Bombeiros acompanharam a reintegração. Os bombeiros seriam acionados
caso houvesse conflito. Duas pessoas, entre elas um aluno da
universidade, passaram por averiguação da Polícia Militar e foram
liberadas.
Os estudantes afirmaram que alunos em vigília observaram a chegada do
Choque e avisaram os demais que estavam dormindo. Segundo a aluna de
Letras Arielli Tavares, que participa da diretoria do Diretório Central
Estudantil (DCE), afirmou que os estudantes optaram por sair antes da
entrada dos policiais. Os alunos planejam fazer uma manifestação às 16h,
na Avenida Paulista.
Tropa de Choque foi acionada para ajudar reintegração (Foto: Letícia Macedo/G1)
"É inadmissível que em meio a um processo de questionamento a
universidade opte por utilizar uma força totalmente desproporcional.
Essa estrutura de poder é insustentável e não é através da força que
eles vão mudar isso", disse Tavares.
A PM também afirmou que a reintegração de posse ocorreu de forma
tranquila, sem resistência. Segundo a PM, há muitos objetos quebrados
dentro do prédio reitoria. Uma perícia será feita no prédio para depois
ser liberado.
Na assembleia de quarta-feira os estudantes votaram a permanência no
prédio apesar de um termo de acordo proposto pela universidade ter sido
considerado um avanço por representantes do movimento.
A votação foi feita após uma comissão formada pela reitoria se reunir
com estudantes e apresentar uma proposta para a saída dos alunos. O
termo de acordo foi submetido à apreciação dos estudantes e 747 foram
contra a assinatura do documento, o fim da greve e a saída voluntária do
local. Outros 562 estudantes votaram a favor da assinatura do termo, do
fim da greve e da desocupação da reitoria.
Histórico das ocupaçõesVeja o que ocorreu nas últimas ocupações:2011
Estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)
da USP e servidores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores da USP
(Sintusp
) ocuparam a reitoria da universidade em 2 de novembro e
foram retirados pela Polícia Militar no dia 8 de novembro. Depois da
ação, outros estudantes aderiram ao movimento pela saída da PM da Cidade
Universitária. Entre as reivindicações, os alunos pediam a saída do
reitor João Grandino Rodas e o fim do convênio que ampliava a ação da
Polícia Militar no campus da USP.
2007A ocupação durou 51 dias.
Estudantes invadiram a reitoria no dia 3 de maio e só saíram em 22 de
junho. Ele exigiam a revogação dos decretos do então governador José
Serra (PSDB) que, segundo eles, feria a autonomia das universidades. Em
seguida estudantes, funcionários e professores entraram em greve. Em 31
de maio, Serra publicou um decreto declaratório modificando a
interpretação dos trechos questionados pelo movimento – ato depois
avaliado pelos manifestantes como uma de suas conquistas. Não houve ação
policial na desocupação.
Reitoria da USP após a reintegração de posse (Foto: Letícia Macedo/G1)
Fonte: G1.com