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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Guia de Profissões

 

Administração e Negócios

Meio Ambiente e Ciências Agrárias

Saúde

As Matérias que Provavelmente Caírão no Vestibular

Atendendo pedidos dos leitores do blog

Estamos postando uma lista das principais matérias para o vestibular formulada pelo Objetivo.

FÍSICA
Prof. Eduardo Figueiredo, Coordenador de Física do Objetivo

MECÂNICA:
M.U. e M.U.V.
e seus respectivos gráficos
Leis de Newton: plano inclinado e atrito
Força centrípeta
Energia mecânica, trabalho e potência
Quantidade de movimento e suas propriedades
Gravitação

ELETRICIDADE:
Circuitos elétricos
Potência e energia elétrica; custo da energia elétrica
Eletrização; Lei de Coulomb; força magnética e indução magnética
Campo elétrico e potencial elétrico

TERMOLOGIA:
Termometria e calorimetria

ÓPTICA:
Reflexão: espelhos esféricos; refração: lentes delgadas

ONDAS:
Equação fundamental da ondulatória

HIDROSTÁTICA:
Empuxo; princípio de Arquimedes

HISTÓRIA
Prof. Francisco Alves da Silva, Coordenador de História do Objetivo

BRASIL:
Era Vargas
República Velha
Ditadura militar e governos atuais

CONTEMPORÂNEA:
Neocolonialismo e 1ª Guerra Mundial
Crise de 1929 e Revolução Russa
Guerra Fria e 2ª Guerra Mundial

AMÉRICA:
Revoluções na América Contemporânea: Mexicana e Cubana


MATEMÁTICA
Prof. Giuseppe Nobilioni, Coordenador de Matemática do Objetivo

ÁLGEBRA:
Equações e inequações
Sistemas lineares
PA e PG
Logaritmos
Combinatória e probabilidade

GEOMETRIA:
Área de figuras planas
Relações métricas no triângulo retângulo
Semelhança de triângulos e outras figuras planas
Tetraedro regular e outras pirâmides regulares
Prisma, cilindro e cone

QUÍMICA
Prof.Antonio Mário Salles, Coordenador de Química do Objetivo

INORGÂNICA:
Ligações químicas: atenção especial para as forças intermoleculares e sua influência no ponto de ebulição e solubilidade
Reações inorgânicas; reações de oxidorredução
Conceito de mol; massa molar; cálculo estequiométrico

ORGÂNICA:
Principais funções orgânicas e isomeria
Reações orgânicas mais importantes (adição, substituição, desidratação de álcoois, esterificação, oxidação de álcoois, polimerização)

FÍSICO-QUÍMICA:
Cinética química; Equilíbrio; Eletroquímica, Soluções e Termoquímica


GEOGRAFIA
Profa. Vera Lúcia da Costa Antunes, Coordenadora de Geografia do Objetivo

GERAL:
Conflito no Golfo; acordos entre palestinos e israelenses
Mercosul; ALCA; narcotráfico na Colômbia
Inserção de novos membros na União Européia
Ação política internacional e seus reflexos na economia;
Globalização
Mercado externo, OMC e G22

BRASIL:
Fome zero; Tietê (projeto Pomar); taxa de lixo
População brasileira
Urbanização
Descentralização industrial do Brasil
Agricultura: espaço agrícola; clima e vegetação
Quadro natural: relevo, formações climatobotânicas

BIOLOGIA
Profs.Luiz Carlos Bellinello e Clézio Morandini, Coordenadores de Biologia do Objetivo

ANIMAL:
Circulação; respiração
Regulação hormonal
Infecções: AIDS; SARS; verminoses

GENÉTICA: DNA e RNA
Síntese das proteínas
Grupos sangüíneos: ABO e RH

BOTÂNICA:
Célula vegetal e fotossíntese
Absorção de água
Transporte e transpiração
Hormônios vegetais: ciclos reprodutores das plantas

CITOLOGIA:
Mitose-meiose; organóides celulares

PORTUGUÊS
Prof. Francisco Achcar, Coordenador de Português do Objetivo

GRAMÁTICA: Regência verbal.

Concordância nominal e verbal
Elementos de coesão; relações entre orações
Figuras de linguagem
Emprego de pronomes relativos

LITERATURA:
Elaborar um resumo esquemático de cada uma das obras literárias pedidas no seu vestibular

INGLÊS
Profa. M. Cristina Armaganijan, Coordenadora de Inglês do Objetivo

VOCABULÁRIO:
O aluno deverá enriquecer seu vocabulário com leitura de jornais ou revistas em inglês.

GRAMÁTICA:
Recordar a voz passiva
Discurso indireto
Tempos verbais: tempos perfeitos, gerúndio e cláusulas condicionais

terça-feira, 13 de julho de 2010

Atualidades 27 - A Integração Sul-Americana

A integração sul-americana constitui hoje um dos eixos condutores da política externa brasileira. A superação do subdesenvolvimento e das assimetrias, objetivo maior da América do Sul, requer a união dos países do continente.O impulso atual à integração foi possível porque se adquiriu uma convicção compartilhada entre os governos e povos sul-americanos de que o fenômeno da globalização, que proporcionou níveis inéditos de crescimento econômico e trocas comerciais globais, é o mesmo que, em sua face perversa, aprofunda assimetrias e contribui para a marginalização econômica, social e política de dezenas de países e bilhões de seres humanos.Hoje, o desenvolvimento de todos e cada um dos países no mundo depende do crescimento de seus vizinhos. Não é mais possível pensar na prosperidade do Brasil sem pensar no bem-estar de nossa região. A integração, nesse contexto, constitui alternativa consciente para enfrentar os desafios impostos pelos atuais constrangimentos internacionais e, ao mesmo tempo, aproveitar as oportunidades que se oferecem.

Mercado Comum do Sul
O Mercosul, como é conhecido o Mercado Comum do Sul (em espanhol: Mercado Común del Sur, Mercosur) é a união aduaneira (livre comércio intrazona e política comercial comum) de cinco países da América do Sul. Em sua formação original o bloco era composto por quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Desde 2006, a Venezuela depende de aprovação dos congressos nacionais para que sua entrada seja aprovada. No dia 07 de abril de 2010, entrou oficialmente no bloco o Estado de Israel, sendo o primeiro país fora da América do Sul a ingressar no Mercosul, porém, sua participação é apenas o livre comércio atualmente restringido a Brasil e Uruguai.
As discussões para a constituição de um mercado econômico regional para a América Latina remontam ao tratado que estabeleceu a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) desde a década de 1960. Esse organismo foi sucedido pela Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) na década de 1980. À época, a Argentina e o Brasil fizeram progressos na matéria, assinando a Declaração de Iguaçu1985), que estabelecia uma comissão bilateral, à qual se seguiram uma série de acordos comerciais no ano seguinte. O Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, assinado entre ambos os países em 1988, fixou como meta o estabelecimento de um mercado comum, ao qual outros países latino-americanos poderiam se unir. (
Com a adesão do Paraguai e do Uruguai, os quatro países se tornaram signatários do Tratado de Assunção1991), que estabelecia o Mercado Comum do Sul, uma aliança comercial visando dinamizar a economia regional, movimentando entre si mercadorias, pessoas, força de trabalho e capitais. Inicialmente foi estabelecida uma zona de livre comércio, em que os países signatários não tributariam ou restringiriam as importações um do outro. A partir de 1 de janeiro de 1995, esta zona converteu-se em união aduaneira, na qual todos os signatários poderiam cobrar as mesmas quotas nas importações dos demais países (tarifa externa comum). No ano seguinte, a Bolívia e o Chile adquiriram o status de associados. O Chile encontra-se em processo de aquisição do status de associado pleno depois de resolver alguns problemas territoriais com a Argentina. Outras nações latino-americanas manifestaram interesse em entrar para o grupo, mas, até o momento, somente a Venezuela levou adiante sua candidatura, embora sua incorporação ao Mercosul ainda dependa da aprovação dos congressos nacionais do bloco. (
Em 2004, entrou em vigor o Protocolo de Olivos (2002), que criou o Tribunal Arbitral Permanente de Revisão do Mercosul, com sede na cidade de Assunção (Paraguai). Uma das fontes de insegurança jurídica nesse bloco de integração era a falta de um tribunal permanente.
Muitos sul-americanos veem o Mercosul como uma arma contra a influência dos Estados Unidos na região, tanto na forma da Área de Livre Comércio das Américas quanto na de tratados bilaterais. Uma prova disso é a criação da Universidade do Mercosul, que vai priorizar a integração regional no modelo de educação.

União de Nações Sul-Americanas 
A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), anteriormente designada por Comunidade Sul-Americana de Nações (CSN), será uma zona de livre comércio continental que unirá as duas organizações de livre comércio sul-americanas, Mercosul e Comunidade Andina, além do Chile, Guiana e Suriname, nos moldes da União Europeia. Foi estabelecida com este nome pela Declaração de Cuzco em 2004.
De acordo com entendimentos feitos até agora, a sede da União será localizada em Quito, capital do Equador, enquanto a localização de seu banco, o Banco do Sul será na capital da Venezuela, Caracas. O seu parlamento será localizado em Cochabamba, na Bolívia.
Para tornar-se uma organização internacional, a Unasul precisa que o seu Tratado Constitutivo seja ratificado por nove dos doze congressos nacionais dos Estados-membros. Até agora, seis parlamentos já aprovaram o tratado (Argentina, Bolívia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela).

Aliança Bolivariana para as Américas
A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (do espanholAlianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América – Tratado de Comercio de los Pueblos) ou simplesmente ALBA (antiga Alternativa Bolivariana para as Américas) é uma plataforma de cooperação internacional baseada na ideia da integração social, política e econômica entre os países da América Latina e do Caribe.
Fortemente influênciada por doutrinas de esquerda, e ao contrário de acordos de comércio livre como a Área de Livre Comércio das Américas (ou ALCA, uma proposta de mercado comum para as Américas que foi defendida pelos Estados Unidos durante a década de 1990), a ALBA-TCP representa uma tentativa de integração económica regional que não se baseia essencialmente na liberalização comercial, mas em uma visão de bem-estar social, troca e de mútuo auxílio econômico. Os países membros da ALBA-TCP discutem a introdução de uma nova moeda regional, o SUCRE. Em 24 de junho de 2009, o bloco foi rebatizado para Aliança Bolivariana para as Américas, em substituição ao Alternativa original.

Atualidades 26 - 15 anos do Massacre de Srebrenica


Feridas abertas na Bósnia-Herzegóvina

Srebrenica se lembrou neste domingo, 11/07, o 15º aniversário do massacre de milhares de homens muçulmanos, ocorrido após a conquista desse antigo enclave oriental muçulmano pelas tropas servo-bósnias do general Ratko Mladic.

Esperava-se que cerca de 50 mil pessoas participassem do ato, incluindo altos cargos bósnios e de países vizinhos, assim como representantes da Turquia, Bélgica e de instituições europeias, entre outros.

Os restos mortais de 775 vítimas identificadas do massacre foram sepultados no memorial de Potocari, nas imediações de Srebrenica, durante o ato de lembrança da tragédia, que alguns consideraram o maior crime na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

É o maior enterro coletivo de vítimas do massacre, ocorrida em 11 de julho de 1995, quando as tropas servo-bósnias conquistaram o enclave de Srebrenica, então zona protegida por "capacetes azuis" holandeses da ONU, poucos meses antes do fim de uma guerra civil bósnia

Até agora, foram sepultadas no cemitério de Potocari 3.749 vítimas, identificadas pelo DNA.

Os crimes foram cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), iniciada após a queda do regime comunista na antiga Iugoslávia. Até hoje os corpos das vítimas, exumados de valas comuns, são identificados por meio de análises de DNA. O general Ratko Mladic, um dos responsáveis pelo massacre, continua foragido.

A região dos Bálcãs, onde ocorreram os conflitos, é marcada por histórias de invasões estrangeiras e disputas de cunho étnico, religioso e nacionalista. Nesse contexto, desavenças políticas, combinadas com a ineficiência da comunidade internacional na mediação da guerra, compuseram o palco para o genocídio.

A Guerra da Bósnia teve ampla cobertura da imprensa internacional e mostrou cenas semelhantes ao holocausto dos judeus na Alemanha nazista: cidades sitiadas, campos de concentração, mortes em massa e posteriores julgamentos dos criminosos no Tribunal Internacional de Haia.

Atualidades 25 - Vazamento: Maior Desastre Ambiental dos EUA

Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11 funcionários no Golfo do México. Dois dias depois, a plataforma afundou a aproximadamente 80 quilômetros da costa da Louisiana, sul dos Estados Unidos. O petróleo cru começou a vazar da tubulação rompida a 1,5 quilômetro da superfície do mar, formando uma enorme mancha negra que se aproxima do litoral americano.

Desde então, o óleo vem prejudicando a fauna marinha, o turismo e a pesca na região. Todos os esforços da empresa BP para conter o vazamento falharam e o derrame deve continuar por mais um mês. Pela sua extensão, esse foi considerado o pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos.

O desastre no Golfo do México trouxe como consequências:
  • ameaças ao ecossistema;
  • prejuízos à indústria pesqueira e ao turismo;
  • desgaste político do presidente Barack Obama;
  • revisão dos incentivos à indústria petroleira;
  • maior regulamentação do setor petrolífero;
  • incentivo à discussão sobre energias alternativas.
A mancha negra que se estende sobre o Oceano Atlântico, numa área equivalente a onze vezes a cidade do Rio de Janeiro, é a imagem da maior catástrofe ambiental da história dos Estados Unidos. O vazamento de petróleo cru e de gás no Golfo do México causou, além de danos ao meio ambiente, perdas econômicas e políticas para o governo de Barack Obama. E como todas as tentativas de conter o vazamento falharam, a mancha deve se alastrar por mais um mês, agravando a situação.

O acidente também obrigou o governo norte-americano a revisar as políticas de energia e a regulamentação do setor petrolífero que explora o óleo mineral em águas profundas. É uma discussão que também interessa ao Brasil, que deve definir em breve as regras de exploração do petróleo na camada pré-sal.

Na noite de 20 de abril de 2010, uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, arrendada pela empresa British Petroleum (BP), matou 11 funcionários. Dois dias depois, a plataforma afundou a aproximadamente 80 quilômetros da costa da Louisiana, sul dos Estados Unidos. O petróleo começou a vazar da tubulação rompida a 1,5 quilômetro da superfície do mar, formando uma enorme mancha que se aproxima do litoral americano. Desde então, o óleo vem prejudicando a fauna marinha, o turismo e a pesca na região.

A mancha de óleo próxima à costa da Louisiana: desastre pode ser o pior da história do país / Foto: Reuters

Atualidades 24 - A Emergência da Futura Potência Mundial

É possível que dentro de 20 anos este século não seja norte-americano, nem europeu, mas asiático. O que se debate é se a futura potência mundial será a China ou a Índia. No momento, não há dúvidas de que a China leva a dianteira. Nos últimos 25 anos, a China instrumentalizou um programa de reformas econômicas, uma combinação de políticas governamentais e de iniciativa privada em níveis locais com a utilização de trabalho eficiente e barato no contexto de uma economia aberta ao comércio internacional que atrai ingentes investimentos estrangeiros e importação de tecnologias.
Em 2006, foram investidos na China US$ 60,3 bilhões contra US$ 4,6 bilhões na Índia. O grau de alfabetização chinês é de 90%, contra 60% na Índia. Este país conseguiu nos últimos anos um respeitável aumento da média de produtividade (4,1%), mas a China o superou com 8.7%. Nos últimos 15 anos, o grau de ocupação no setor de serviços triplicou na China, enquanto na Índia aumentou 20%.
Os partidários da Índia têm uma visão diferente. Destacam a vantagem de contar com empresas que estão integradas à economia mundial desde os tempos da colonização britânica, como demonstram as ofertas de aquisição da Mittal Steel pela Arcelor e da Tata Steel pela Corus. A Índia vem imediatamente depois da China quanto ao crescimento e, embora a maioria de sua população tenha baixo nível educacional, possui o maior número de engenheiros e cientistas no mundo e é o maior centro de terceirização de informática e serviços telemáticos.
Segundo os defensores da China, a emergência da Índia está sendo superdimensionada com a intenção de servir de contrapeso à inevitável ascensão da China como primeira potência mundial até 2025. A expansão chinesa provoca temores. Em 1975, o produto interno bruto da Índia superava o da China em 9%, hoje o PIB indiano é de apenas 40% do chinês. A China se converteu em um motor fundamental da economia planetária, que a cada ano recicla seu superávit comercial de US$ 124 bilhões com os Estados Unidos mediante a compra de bônus do Tesouro norte-americano. Está acelerando o processo de urbanização e estima-se que 400 milhões de camponeses mudarão para as cidades antes de 2020, passando dos atuais 41,8% para 75% de urbanização. Nos países ocidentais uma transformação semelhante demorou três séculos.
A atitude chinesa consiste em minimizar sua projeção global. Em conversas privadas os dirigentes chineses afirmam que só quando seu país conseguir resolver seus problemas internos - não antes de 2025 - poderá ocupar-se dos assuntos internacionais. Aqui surge uma questão capital: se a mágica data de 2025 tiver fundamento, significa que a China está destinada a desempenhar um papel de potencial mundial em qualquer caso e mais além de suas intenções. Recordamos que em função de seu crescimento Pequim requer imensas quantidades de matérias-primas, particularmente petróleo, do qual importa 70% dos 5,5 milhões de barris que consome diariamente. Calcula-se que essa quantidade duplicará nos próximos anos que isto levará a um choque de interesses com os Estados Unidos, extremamente sensível em matéria de petróleo.
Em conversações privadas, o presidente Hu Jintao prevê que no ritmo atual de endividamento com a China não é plausível que Washington possa ter alguma capacidade de pressionar Pequim e acrescenta não ser realista a hipótese de um conflito militar que - afirma - os Estados Unidos não poderiam vencer. Além da imensa quantidade de bônus norte-americanos que poderia vender, a China poderia converter em euros os US$ 680 bilhões de suas reservas, subjugando a economia norte-americana. Os dirigentes de Washington afirmam que essa hipótese é absurda porque, devido à interdependência dos dois países, a crise também atingiria a China. Hu Jintao diz que essa tese é aceitável enquanto Washington se comportar corretamente, mas que se os norte-americanos optarem por enfrentar a China, uma manobra monetária lhe seria menos custosa do que uma guerra.
Em sua visita a Nova Délhi, Jintao afirmou que "o caminho de empreendimentos e o ritmo de nosso desenvolvimento têm grandes implicações para a paz e o desenvolvimento da Ásia e do mundo. A Índia e a China têm um interesse comum no avanço do multipolarismo e da democratização das relações internacionais". Para os observadores chama a atenção o fato de a única vez que Jintao falou de multipolarismo e democratização das relações internacionais tenha sido em referencia aos interesses comuns de Índia e China.
Isto pode se referir ao início de uma nova entidade geopolítica, Chíndia, onde mais de dois bilhões de pessoas integrariam um bloco sem precedentes na história? Por que lutar entre eles (e por conta de outros) quando aliando-se o resto do mundo se torna irrelevante? A Índia tem os mesmos problemas que a China em relação a energia e matérias-primas: ou os enfrentam juntas ou um confronto será inevitável, com ou sem manobras externas.
Como será o ordenamento planetário em 2025? Multipolar, com China e Índia potências mundiais ou apenas a China no timão? Não sabemos, mas é importante destacar que em qualquer caso se tratará de uma hegemonia diferente da norte-americana, baseada sobre seus próprios valores e estilo d vida. Não é concebível que a China pretenda impor seu próprio modelo político, sua culinária, sua musica e seu modo de vestir em todo o mundo. Na história chinesa tem existido uma proverbial falta de interesse pela vida além de suas próprias fronteiras.
O Império do Meio era o centro da harmonia e da civilização, de fora estavam os bárbaros contra os quais se construiu uma muralha gigantesca. Estaremos diante de um grande império comercial, onde, provavelmente, os interesses chineses se sobreporão a todos os demais, com franca indiferença pela justiça social internacional ou pelo sort dos fracos, de acordo com a milenar tradição chinesa.

Atualidades 23 - O Significado da Eleição do Presidente Obama

A eleição do Presidente Obama consitui o início de uma nova era na sociedade americana e, talvez, nas relações internacionais contemporâneas. No plano interno, produz mudanças relevantes nas esferas política e econômica; no âmbito externo, promete transformações institucionais e novas práticas políticas que poderão melhorar a inserção internacional dos EUA. Esta eleição enseja câmbios na agenda conservadora que domina o debate político nos EUA há cerca de quatro décadas. Com a sagaz percepção de que manipular valores, inclusive religiosos, pode servir a objetivos político-eleitorais na sociedade americana, Nixon iniciou este processo. A parcela conservadora da academia americana e seus thinktanks, responsáveis por cerca de dois terços das publicações em periódicos formadores de opinião, habilmente construiu uma espécie de consenso em torno da promoção de alguns valores fundamentais naquela sociedade, particularmente a promoção das liberdades individuais e a redução da capacidade reguladora do Estado. O ápice deste processo ocorreu no Governo Reagan, cujas reformas deram um norte
a uma sociedade desencantada com sua capacidade de vencer a Guerra Fria e de enfrentar a ameaça do Oriente, então associada ao Japão. O resultado é conhecido: no plano políticoestratégico, essa mudança de parâmetros levou à desintegração da União Soviética e reafirmou o modelo de organização social e política ocidental. No econômico, recolocou os EUA na liderança da economia mundial, mediante notável capacidade de inovação e reorganização de cadeias produtivas – o que condicionou, entre outros fenômenos, a ascensão da China à condição de potência mundial.
O processo não se encerrou ali. Ao contrário, aprofundou-se, por meio do “Contrato com a América”, idealizado pela maioria conservadora no Congresso, que tornou o interregno Clinton refém dessa agenda. Em certo sentido, se imaginarmos um espectro político com as extremidades “esquerda” e “direita”, logrou-se deslocar o “centro” para a “direita”. É como se os acordos políticos se tivessem materializado sempre à direita, de modo a servir aos interesses da mais ampla liberdade individual e a reduzir ao mínimo a intervenção governamental na economia e na sociedade. Isso levou a excessos, especialmente no campo das finanças e da produção. Isso reduziu os níveis de solidariedade entre os americanos e aprofundou as injustiças sociais de modo inédito na história do País. É essa era que chega ao fim, face à emergência de um consenso sobre a necessidade de se reduzirem as assimetrias e de se ampliar a capacidade de intervenção do Estado na economia, em nome do bem comum. Obama tem hoje a oportunidade de deslocar o “centro” para a esquerda, em favor de uma sociedade mais justa. É uma visão de futuro que retorna ao centro da ação política, com a força própria às idéias cujo tempo chegou. Foi assim com o New Deal de Roosevelt, foi assim com a Grande Sociedade de Johnson. Em ambos os casos, os democratas assumiram maioria no Congresso, como ocorre agora. Obama encontra contexto assemelhado, embora sua eleição se tenha dado por margem muito modesta e sua maioria seja estreita. Não se trata de apagar o legado de Reagan ou de retomar propostas semelhantes às de Johnson e Roosevelt. Trata-se, isto sim, de interpretar as necessidades do presente à luz dessas experiências. E de agir adequadamente. Resta saber se Obama terá a grandeza desses líderes. Até agora, ele revelou possuir extraordinária percepção e habilidade política. Construiu pontes no seio do Partido Democrata e deste para o Republicano, como ilustram a nomeação de Hillary Clinton e a
manutenção de Robert Gates. Pregou a conciliação, a humildade e a necessidade de se trabalhar duro, com base nas boas idéias, para se construir um futuro melhor. Principalmente, se der certo, promete virar a página mais sangrenta da história americana, deixando no passado o problema racial. Obama tem ainda a vantagem de substituir um péssimo governo. O simples contraste lhe beneficia. Entre os muitos erros de Bush, o pior foi dilapidar a imagem da sociedade americana e seus valores, ao não assumir plena responsabilidade pelos abjetos crimes cometidos em Abu Ghraib e Guantánamo. Recuperar o respeito da comunidade internacional
pelos EUA será o maior desafio da nova administração no plano internacional. Suas primeiras iniciativas
apontam para fortalecer as instituições internacionais, de modo a torná-las mais representativas, em prol de
uma ordem mais justa. É um bom começo.